
As razões do fracasso de Mourinho são várias, mas em primeiro lugar destacado, está a sua política de contratações. O homem gastou 20 milhões de euros em Paulo Ferreira que nem na Académica tem lugar. Apostou em Ballack e cedeu à aquisição de Shevshenko. Entretanto, enquanto o Chelsea desbaratava os seus milhões, o Barcelona, por exemplo, comprava Deco que Mourinho não quis «porque o Joe Cole era melhor». Ia buscar Etoo perdido no modesto Maiorca e, sobretudo, andava a ver as camadas jovens argentinas onde descobriu Messi. Ainda agora, enquanto Mourinho comprava o consagrado Ashley Cole, o Barcelona apostava noutro miúdo, o mexicano, Giovanni dos Santos. Nos últimos anos o Barça foi campeão europeu e o Chelsea que investiu bem mais ficou a celebrar a Taça da Liga. Mourinho, dispondo de todo o dinheiro do mundo, investiu mal, em jogadores patéticos ou em primas donas consagradas.
Só para se ter uma ideia dos meios postos à disposição do homem, basta lembrar a recente tentativa do Real Madrid em adquirir Ballack ao Chelsea. Segundo o treinador merengue, Shuster, «foi impossível porque isso desiquilibraria totalmente a folha de vencimentos do Real» (sic). Raul, o futebolista com o salário mais chorudo do Madrid, limpa 6 milhões de euros ao ano; Ballack 8 milhões! E não é o mais caro do Chelsea, não ultrapssando Lampard (que o Barça não conseguiu comprar) nem Shevshenko, estando ao nível de Terry. E ainda há quem diga que o Especial é o melhor treinador do mundo? O tanas, com aqueles milhões todos até eu ganhava um taçazita da liga.
E já não falo na qualidade do futebol apresentado pelo Chelsea, uma coisa sinistra, onze matulões sem criatividade que não dão espectáculo. Até por aí, Mourinho tinha a vida facilitada. Pedia-se-lhe que ganhasse, não que desse show. Compare-se este nível de pressão com a pressão imensa do Real Madrid, por exemplo, onde não basta ganhar. Ainda agora, Capello foi despedido depois de ganhar o título espanhol. Motivo: a baixa qualidade do futebol praticado. E Del Bosque, aqui há uns anos atrás, foi demitido depois de se ter sagrado campeão europeu. Mourinho não tinha esta pressão acrescida: Abramovic e a aficcion pediam-lhe o título europeu, nem que fosse transformando jogadores de futebol em máquinas. Nunca ninguém lhe exigiu que apresentasse a qualidade futebolística de um arsenal ou de um Barça. E mesmo assim, ele falhou! Os exigentes adeptos do Real Madrid jamais aguentariam Mourinho e o seu futebol robótico um mês, quanto mais dois anos e tal, como fez Abramovic. Muita paciência ( e milhões) teve o russo...
Nos próximos tempos, o Especial há-de vir para a rua mais rico e mais vaidoso e os media portugas hão-de continuar a promover os livros dos «especialistas em mourinho», uma legião de discípulos cujo curricula é terem-se cruzado, nalgum momento da sua vida, com o treinador de Setúbal. E havemos de fazer os possíveis e os impossíveis para evitar esta simples e mortal pergunta: em face dos milhões de que dispunha, Mourinho foi um sucesso ou um fracasso no Chelsea? Quanto a mim foi um fracasso. Mas já sei que estas coisas custam a ouvir.
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