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Das torres não mana já o bronze pulmonar dos sinos mas a cassete irrisória como a fé do pároco local. Prédios daninhos vegetam onde houve montes, blocos cúbicos vigiados de baixo por cubículos bancários e pastelarias com agência de apostas mútuas numa sorte que nunca há-de vir. Autocarros da modernidade carreiram de nenhures para lado algum, no bojo portando a antiguidade mal reformada dos nossos velhos, últimos que ouviram dos sinos o éreo dobre. Madonas de peitaça inchada como hematomas de leite cachorritam trelas mijonas entre lojas de trapos e pastelarias assombradas por cronistas pingarelhos. Andropausas em fato-de-treino luzem as carecas, como cus a prumo, pelos circuitos aeróbicos do parece-bem. Tasquinhas e feiras medievais, inevitáveis como o cancro, clonam-se umas às outras à pala dos orçamentos municipais geridos por imitadores de serviço. Milhares de suiniculturas geridas por porcos implicam a razão directa de um quilo de fiambre por um milhar de peixes fluviais mortos. A produção-ficção dos canais televisivos do alvará patriótico alzheimera tudo e todos, dos presídios da terceira idade às cristãs salas de chuto. O novo Código Penal é p’ra punir o bem e incentivar o mal, coisas que, aliás, nenhum Governo deixou de fazer nos últimos 864 anos. E, no futuro imediato, à porta das escolas fechadas criancinhas idem rezam para que as respectivas mães se não lembrem de ter irmãozinhos em partos de ambulância.
De modo que, por tudo isto e por todo o etc que não digo por contenção gráfica de coluna, cada vez sinto mais que, mesmo de cassete, quando os sinos dobram, é por nós que dobram.
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