
Recentemente a Joana Vasconcelos chamou-me a atenção, ainda por outra razão, esta um pouco a montante das nobres e puras razões artísticas: pelo preço exorbitante que uma peça sua - uma marilyn - atingiu na Sothebys, qualquer coisa como cerca de 500 mil euros! Pois bem, os manguelas dos Lisboetas estão, uma vez mais, cheios de sorte: o Joe Berardo resolveu fazer uma retrospectiva da obra da artista no CCB.
Mas eu queria lembrar toda a gente e, especialmente, os meus conterrâneos conimbricenses que nós aqui somos pequenininhos mas também temos uma peça da artista plantada mesmo no centro do nosso recreio. Refiro-me ao campo de pitch and putt da Quinta das lágrimas, onde passamos uma boa parte do nosso tempo (para dizer a verdade já passámos mais). Pois é verdade, quem conhece o campo e até quem não conhece, pode ver uma baliza plantada lá mesmo no meio. Aquela baliza é que é a tal peça da Joana Vasconcelos! Ainda me lembro quando ela lá foi plantada, aqui há uns anos, por altura do Euro no nosso país. A artista construiu uma rede com umas flores coloridas meio psicadélicas do género das que enfeitam os carros da Queima das Fitas e chamou à escultura «Ópio do Povo». Com o tempo as flores de papel bio-degradaram-se, de maneira que, agora, já só lá resta baliza.
Não sei se a ideia era essa, ficar ali no meio do campo de golfe uma baliza de futebol, mas creio que a intervenção perdeu força. Agora quando olho para aquilo já não vejo uma referência ao futebol-alienação. Vejo apenas uma baliza que dizem ter custado 8 mil contos ao Júdice. Mas, possivelmente, o homem ainda ganhou dinheiro com isso. O berardo não pagaria o dobro para ter a nossa baliza no seu museu? Vá lá malta, organizem-se e visitem a baliza da Joana de Vasconcelos que está na Quinta das Lágrimas. Enquanto podem, que daqui a uns tempos se a quiserem ver têm que se meter no carro e fazer 200 klm até Lisboa.
Pic - Dorothy de J. Vasconcelos
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