D. Luís da Cunha propôs, muitos anos antes da fuga atabalhoada da corte de D. João VI para o Rio de Janeiro, que Portugal fizesse essa transferência, voluntariamente, cerca de um século antes. A ideia era, precisamente, que a corte de D. João - o V e não o VI - se estabelecesse no Brasil. Depois propor-se-ia à Espanha a troca do Algarve pelo Chile. E numa segunda fase dávamos o resto de Portugal e os Espanhóis retribuiriam com a Argentina (que na altura incluía o Paraguai e a Banda Oriental, isto é, o Uruguai). Fundaríamos uma capital no centro do Brasil que se chamaria Nova Lisboa e que seria banhado por um rio a que chamaríamos Novo Tejo. Depois era só transferir a população portuguesa em peso para o novo território e ficaríamos donos de um novo império que atravessaria a América do Sul do Atlântico ao Pacífico. Brilhante! Portugal intitular-se-ia então O Grande Império do Ocidente. Isto se e é um grande se os Espanhóis fossem na cantiga e concordassem com a troca. Se fosse hoje é claro que nem de borla nos queriam. Mas no tempo de D. João V não sei, não... E, sem dúvida, a nossa vida seria agora muito melhor...
Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
25/12/12
O Grande Império do Ocidente, por Tupi Guarani
D. Luís da Cunha propôs, muitos anos antes da fuga atabalhoada da corte de D. João VI para o Rio de Janeiro, que Portugal fizesse essa transferência, voluntariamente, cerca de um século antes. A ideia era, precisamente, que a corte de D. João - o V e não o VI - se estabelecesse no Brasil. Depois propor-se-ia à Espanha a troca do Algarve pelo Chile. E numa segunda fase dávamos o resto de Portugal e os Espanhóis retribuiriam com a Argentina (que na altura incluía o Paraguai e a Banda Oriental, isto é, o Uruguai). Fundaríamos uma capital no centro do Brasil que se chamaria Nova Lisboa e que seria banhado por um rio a que chamaríamos Novo Tejo. Depois era só transferir a população portuguesa em peso para o novo território e ficaríamos donos de um novo império que atravessaria a América do Sul do Atlântico ao Pacífico. Brilhante! Portugal intitular-se-ia então O Grande Império do Ocidente. Isto se e é um grande se os Espanhóis fossem na cantiga e concordassem com a troca. Se fosse hoje é claro que nem de borla nos queriam. Mas no tempo de D. João V não sei, não... E, sem dúvida, a nossa vida seria agora muito melhor...
23/12/12
Prof, por Dromófilo
Avaliação final. Treze
alunos. Seis com três classificações negativas, dois com quatro classificações
negativas, dois com seis classificações negativas, dois com sete classificações
negativas, um com nove classificações negativas.Linhas de faltas a formigar
na pauta.A demagogia prometeica
e delusória do voluntarismo pedagógico: Planos de Diferenciação, Actividades de
Recuperação de Aprendizagens, Planos Individuais de Trabalho.A escola como o
único lugar no qual se acredita ser possível o possível impor-se ao real. A
escola como o impossível lugar da enérgeia da utopia, inversamente proporcional ao quietismo
do conformismo social e económico - não
viver acima das suas possibilidades, não desejar acima das suas possibilidades,
não ser acima das suas possibilidades.No dia três de Janeiro,
um incréu abrirá a porta da sala dois e recitará em surdina: concede-me serenidade
para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar aquelas que posso e lucidez para reconhecer a diferença.
Depois é o sumário.
Extraído, com a devida vénia, daqui: http://dromofilo.blogspot.pt/
13/12/12
Notas de Leitura: Ray Bradbuy – Farnheit 451, por Bombeiro
... E no entanto não é uma ficção assim tão distante da
realidade... Quantas sociedades existiram e existem em que os livros, pelo menos
uma parte deles, estão proibidos? Quantas pessoas já foram queimadas por lerem
os livros proibidos? Não será a nossa própria sociedade, hoje, com as suas miseráveis taxas de leitura, a sua proverbial aversão aos livros que «são uma seca», um primeiro passo no caminho de Farnheit 451? Bradbury, um genial construtor de «cenários» apenas leva
um pouco mais longe a realidade - há uma sociedade, algures no futuro, que, em
vez de proibir alguns livros, proibiu-os a todos. E ai de quem teimar em ler...
09/12/12
Os Planetas, por Neurocirurgião
Um dia destes acordei a cantarolar uma música que não ouvia, para aí, desde os meus remotíssimos 16-17 anos: Joybringer dos Manfred Mann´s. Aqui:
http://youtu.be/KIDmj4VjqUA
Fiquei a pensar no estranho funcionamento do cérebro humano e das suas reminiscências misteriosas. Porque razão hei-de andar a cantarolar o Joybringer? O que é que levou o meu cérebro a recuperar esta antiga memória recôndita?
Fui ao you tube para voltar a ouvir esta música e eis que descubro uma referência a Holst e à sua obra prima, Os Planetas, mais precisamente a Júpiter, the bringer of jollity. Ouçam a partir do minuto 1.07:
http://youtu.be/Nz0b4STz1lo
Pois é: é a mesma melodia, a música dos MM é uma citação assumida de Holst.
E percebi porque é que o meu cérebro, como se funcionasse sem mim, recuperou a memória de Joybringer. Lembrei-me que ao vir de carro para casa ouvi na rádio, precisamente, esta faixa de Holst. E, não sei por que misteriosos atalhos, recuperei a memória dos MM. Não sei porquê mas acho isto tudo espantoso: os MM que copiam Holst e o cérebro humano que associa uma memória musical pop remota a uma melodia sinfónica que, aparentemente, nada têm a ver uma com a outra.
http://youtu.be/KIDmj4VjqUA
Fiquei a pensar no estranho funcionamento do cérebro humano e das suas reminiscências misteriosas. Porque razão hei-de andar a cantarolar o Joybringer? O que é que levou o meu cérebro a recuperar esta antiga memória recôndita?
Fui ao you tube para voltar a ouvir esta música e eis que descubro uma referência a Holst e à sua obra prima, Os Planetas, mais precisamente a Júpiter, the bringer of jollity. Ouçam a partir do minuto 1.07:
http://youtu.be/Nz0b4STz1lo
Pois é: é a mesma melodia, a música dos MM é uma citação assumida de Holst.
E percebi porque é que o meu cérebro, como se funcionasse sem mim, recuperou a memória de Joybringer. Lembrei-me que ao vir de carro para casa ouvi na rádio, precisamente, esta faixa de Holst. E, não sei por que misteriosos atalhos, recuperei a memória dos MM. Não sei porquê mas acho isto tudo espantoso: os MM que copiam Holst e o cérebro humano que associa uma memória musical pop remota a uma melodia sinfónica que, aparentemente, nada têm a ver uma com a outra.
02/12/12
Há gente tão snob, mas tão snob que até a sua miséria é mais fina que a miséria dos outros, por Farinheira
Os pobres apertam o cinto. A margarida rebelo pinto «faz um downsizing no lifestyle». É muito mais fino, quer dizer, um gajo pode ser apanhado a vasculhar o caixote do lixo, mas se tiver pinta como a margarida não anda a revolver os restos dos outros, nada disso, anda a fazer um downsizing no lifestyle. Finérimo...
27/11/12
O Problema zbordinguista, por Visconde de Alvalade
O Tapor recebeu este mail de ilustre zbordinguista que aponta algumas soluções para a crise leonina. Aí vai sem mais comentários:
Sejamos realistas: com os B também não íamos lá e lutávamos para a manutenção. O problema é que com os A também… Portanto a solução melhor é como fazem os israelitas que em tempo de guerra incorporam os reservistas. Eu despedia esta cambada toda a começar pelo Pequeno Godo que substituía imediatamente pelo sousa cintra. Despedia o belga e ia buscar o juca pa treinador se ainda for vivo. Para adjunto voltava a apostar no Pál Serge um incompreendido que passou no nosso clube. E apresentava-lhes este plantel:
GR: patrício e vendia os outros todos porque o patricio mesmo lesionado é melhor que os outros todos juntos. Além disso porque é que precisamos de um GR de classe mundial para disputar a manutenção? Não faz sentido não é?
LD: manaca;
DC: despedia tudo e recuperava o virgílio, o zezinho, o laranjeira e o duilio. Tínhamos assim um quadro de centrais como deve ser: todos de bigode!
LE: Contratava o paíto e corria o insua a pontapé.
Trincos: um gajo qualquer careca. Gosto de trincos carecas. Dantes havia um no braga que era o caccioli. O gajo ainda deve jogar numa equipa de veteranos do brasil. Ia buscá-lo e pagava-lhe só bucha e alojamento.
MD: fraguito. Este gajo era titularíssimo, é o melhor nome de guerra do futebol português.
ME: tiuí. Quanto a mim foi mal aproveitado no nosso clube porque estava fora do lugar. Como médio esquerdo dá uma abada ao pranic.
ED: oliveirinha, o irmão do gajo da olivedesportos. É especialista em carimbos e ainda mexe na chincha. Qual carrilho qual caralho?
AC: o grande manel fernandes, a verdadeira alma leonina. Tem uma barriguinha respeitável mas trata bem a bola e era genial a lançar-se pá piscina (ainda deve ser).
EE: o bóbó, claro, um jogador que não era de «bocas» e que nunca jogou no nosso clube porque os nossos olheiros andam a dormir e deixaram passar um jogador desta qualidade. Deve estar um bocado azedo mas com a merda do capel que ali anda ainda jogava de caras.
Esta equipa jogava por amor à camisola, vendíamos aqueles merdas todos que lá estão agora a desbarato, fechávamos o estádio e fazíamos uma grande festa stromp com bifanas à borla prós sócios com quotas em dia.
Bibó Zbordem!
22/11/12
Um blog que é must, por Manoel Cascavel
Aconselho vivamente este blog, ou, mais exactamente, os comments às carradas que alegram os seus magníficos posts. Por favor zbordem, não acabes, não acabes nunca porque se acabasses perdíamos o prazer de ler o http://ocacifodopaulinho.wordpress.com/.
13/11/12
Ay Carmela, por Falâncio
Vi ontem o último filme (2012) de Phillip Kaufmann, «Heminghway e Gellhorn».Trata-se de um tema recorrente na obra de Kaufmman - os casais literários. O realizador já tinha filmado Henry and June sobre a relação do escritor americano Henry Miller, sua mulher June (Uma Thurman) e Anais Nin (Maria de Medeiros). Nada de especial. Este Heminghway e Gellhorn segue o trilho e narra a relação atribulada entre o autor de Por Quem os Sinos Dobram e a sua mulher Martha Gellhorn (Nicole Kidman). Os filmes não são maus mas também não são nada de especial. Mas numa coisa temos que dar mérito a Kaufmann: o homem tem olho para escolher actrizes!Apesar de não ter ficado muito impressionado, houve, contudo, um aspecto mais ou menos lateral que me impressionou. Refiro-me a uma música antiga, imemorial, daquelas que estão indelevelmente gravadas na nossa memória mais recôndita. Onde terei ouvido aquela música tão antiga? Algures na minha infância no velho rádio lá de casa? Alguém a terá cantado ao vivo? Não sei, mas a música soou-me familiar.
Procurei no google e descobri-a. A música chama-se Ay Carmela, mas segundo li, já foi conhecida por muitos outros nomes. É obviamente uma música icónica das forças revolucionárias espanholas em luta contra os franquistas e tem essa carga ideológica e mítica. É dedicada à Quinta Brigada, uma brigada revolucionária composta por militantes antifascistas voluntários internacionais e espanhóis. Mas o mais interessante é que esta música não foi criada durante a guerra civil espanhola. Não, ela provém, pelo menos do século XIX, e era cantada pela resistência espanhola que fez frente às tropas gabachas de Napoleão aquando da invasões francesas. Já no século XX, durante a guerra civil, foi adoptada pelos revolucionários e rebaptizada - foi Ay carmela (o nome de uma revolucionária), Viva la Quinta Brigada, Marchamos contra los Moros, etc. Esta música tem uma carga mítica que não passa despercebida - está viva e bem viva, sabe-se lá o que ainda lhe reserva o futuro... Aqui fica a versão mais antiga de Rolando Alarcon, que é preferível à do filme:
10/11/12
I was born in a crossfire hurricane, por Dandelion
Era o tempo em que eles estavam no auge - 1972, Texas, os Rolling Stones num dos concertos da digressão mais incrível de toda a história do Rock, a insana e fabulosa STP, a Stones Tour Party. Este vídeo, uma peça de museu, mostra os Stones numa versão electrizante de JJFlash. Mick Taylor, à data, o novo guitarrista da banda sobrepõe-se ao próprio Richard. Depois dele sair nunca os Stones recuperaram aquele efeito de solos em arabesco - ganhou-se o efeito de conjunto, dizem alguns. Ok, mas mas perdeu-se a selvajaria solista de Taylor, um factor maravilhosamente dissonante que acentua a anarquia sonora característica dos Stones. O som dos Stones, depois dele, tornou-se mais integrado, é certo, mas acontece que a desintegração é que foi, sempre, a marca da banda.
Este vídeo tem uma particularidade engraçada - ao minuto 3.29. Alguém percebe o que acontece? A gaffe ocorrido torna esta excelente versão de JJFlash, uma peça digna de colecção - como aquelas obras de arte que têm um defeito indelével que acaba por lhes dar ainda mais cor. Minuto 3. 29... What happened?
Este vídeo tem uma particularidade engraçada - ao minuto 3.29. Alguém percebe o que acontece? A gaffe ocorrido torna esta excelente versão de JJFlash, uma peça digna de colecção - como aquelas obras de arte que têm um defeito indelével que acaba por lhes dar ainda mais cor. Minuto 3. 29... What happened?
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Música,
Rolling Stones
07/11/12
Jagger ou Richards?, por Dandelion
Os meados dos anos 80 foram tramados para os Rolling Stones. Em 1986 fizeram um dos seus piores álbuns de sempre, o famigerado Dirty Works, claramente marcado pelos atritos entre os glimmer twins. Pelo meio Mick Jagger resolveu que queria tentar uma carreira a solo - em 85 gravou She´s the Boss e em 87 Primitive Cool. Keith Richards haveria de se confessar chocado com o novo rumo do amigo e acusou Jagger de egocentrismo, de pensar na banda como Mick Jagger and The Rolling Stones...Richards respondeu aos anseios individualistas de Jagger lançando dois discos de originais (Talk is Cheap de 88 e Main Offender de 92). Na altura a carreira a solo de Jagger teve muito mais impacto mediático (She`s the boss é até um belíssimo disco). Richards estaria então perdido no meio de uma banda de negros, os Xpensive Winos e eu nem dei por ele.
Mas a promessa Jagger não se confirmou nos álbuns seguintes, o homem aligeirou-se, tornou-se cada vez mais pop, pelo meio fizeram-no sir, e podemos hoje afirmar com segurança que a carreira a solo de Mick Jagger contribuiu, em grande medida, para desfazer a lenda que ele era enquanto líder dos Stones. Felizmente, ambos, Jagger e Richards, perceberam que os Rolling eram mais importantes que cada um - e também davam muito mais dinheiro. A banda voltou a juntar-se e as suas digressões foram as mais memoráveis e lucrativas da história do rock. E no regresso da banda Reef tornou-se muito mais importante do que fora antes, ao invés de Jagger, que viu reduzida a sua importância. Passados estes anos ficou-me uma curiosidade por desfazer - qual dos dois se saiu melhor, afinal, nos seus trabalhos a solo?
Não tenho dúvidas na resposta (com tudo o que isto tem de subjectivo): Keith Richards fez dois álbuns excelentes ao passo que Mick Jagger se perdeu no emaranhado do seu vedetismo pop. Richards fez músicas dignas de figurarem nos melhores álbuns dos Rolling; Jagger nem tanto. Para um Stoniano fica sempre a mágoa de pensar o que os Stones poderiam ter feito se eles não tivessem dispersado a sua energia criativa durante aquele período. Mas, ao passo que a voz de Jagger a solo se tornou um repositório de tiques mais ou menos irritantes, Richards aperfeiçoou o seu lado marginal, a sua face dark e roufenha. E o som da sua guitarra continuou a ser, do meu ponto de vista, o autêntico traço de personalidade dos Rolling Stones. Depois ainda há a feliz associação de Richards a músicos tão talentosos como os Xpensive Winos. O resultado é que, tantos anos depois, re-descobri os álbuns a solo de Richards e com eles soube para onde tinham ido os Rolling Stones nos meados dos anos 80 - tinham estado onde sempre estiveram, no fundo da alma rebelde de Richards e na negritude dos Winos. Deixo-vos com Make No Mistake, uma pérola de Talk is Cheapr, uma balada fabulosa que deveria ter feito parte de um grande disco dos Rolling Stones. Não precisam de agradecer, tou cá para isto...
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Música,
Rolling Stones
24/10/12
Sardinha Assada, por Pontal
É interessante o potencial semiótico da sardinha assada em Portugal.
Trata-se de uma comida popular e tem associada uma certa etiqueta de raiz popular. A sardinha é associada a uma
certa virilidade, à faina do pescador no mar, à arte chávega, à dureza
da vida. Deste ponto de vista o seu contrário semiótico seria, talvez, o
iogurte, artificial, engomado em pequenos recipientes de plástico,
clean, sem espinhas, artificial e anónimo (ao contrário da sardinha que
tem o pescador como pai simbólico ). Do ponto de vista da etiqueta o
contrário da etiqueta da sardinha assada seria, por sua vez, a etiqueta
muito sofisticada, com excesso de códigos, talvez a da nouvelle
cuisine ou outra coisa mais fina que exija muitos talheres...Como se deve comer numa sardinhada? Pois, a sardinha deve comer-se à mão e acompanhada de broa. É claro que há quem a coma de faca e garfo mas numa festa popular cai mal.É interessante porque neste caso há uma etiqueta que é contrária à tradicional - geralmente quem come à unha é grosseiro mas na sardinha assada isso é bem visto e, pelo contrário, pode cair muito mal comê-la de faca e garfo. Dá um aspecto snob e possidónio.
É por isso que nas festas de reentré, geralmente no Algarve, os partidos políticos não abdicam da sardinha assada e é vê-los, aos políticos, a comer a bela sardinha com broa e, obviamente, à mão. Desta forma, através de um cerimonial alimentar, o polítco procura alcançar a almejada identificação com as massas populares. No fundo,a foto ou o filme do político a comer sardinha assada na festa do Pontal está a dizer: «vejam: sou um de vós, sou mais um». Comê-la de faca e garfo seria um verdadeiro suicídio político.
Haverá mais comidas, como a sardinha, que funcionem como uma espécie de etiqueta ao contrário (isto é, pratos em que a gafe não é não saber nem cumprir uma imensa e sofisticada gramática de etiqueta, mas pelo contrário, em ser o mais rudimentar possível, uma espécie de etiqueta minimal)?
Creio que sim, mas coisas menos sedimentadas na sociedade portuguesa. Os ossos, talvez, que devem ser comidos, roídos à mão, impossíveis de comer de faca e garfo. E também há o caso curioso da ostra que, tal como a sardinha deve ser comida à mão (deve ser levada aos lábios e sorvida directamente), mas aqui com um potencial semiótico completamente diverso da sardinha - erótico ( a ostra também é considerada afrodísiaca) e sofisticado (a ostra deve ser dos poucos alimentos em que é fino comer a mão).
17/10/12
O Dilema, por Alves dos Cantos
Nunca senti por nenhuma selecção portuguesa o que sinto por esta: eles representam portugal e eu sou português, o normal é que, como sempre, torça pelo meu país; no entanto, um a um (com algumas excepções) jogadores e treinador desafiam soco. Não gosto desta gente. O que é mais forte - a minha natural inclinação tuga ou a minha aversão pessoal por estes tipos? Eis o dilema.
Não gosto do carniceiro alves nem do pepe nem do ronaldo-vaidoso, acho o postiga uma ficção de jogador inventada pelo seleccionador, não gosto do micael que me tem sempre ar de quem acabou de snifar um tubo de cola, não gosto do pereirita nem como jogador, acho detestável um tipo com ar de arrumador de automóveis tatuado que costuma lá andar, em suma, não gosto destes gajos. E também não gosto do paulo bento, um treinador burro e orgulhoso que em nome dos seus caprichos e da sua inépcia deixa de fora uma série de jogadores que são indiscutivelmente melhores do que muitos que são cronicamente convocados: como é que bosingwa, ricardo carvalho, sílvio, eliseu, quaresma, manel fernandes, hugo viana ou danny não têm lugar nem nesta última convocatória de segundas linhas? Não têm por duas razões muito simples - por orgulho e por inépcia do treinador.
De maneira que estou assim: só porque os tipos ostentam o rótulo da portugalidade eu não tenho que gostar deles. Neste caso a minha aversão às personalidades destes cromos sobrepõe-se ao portuguesismo. A caixa de comentários está pois aberta para me chamarem «traidor à pátria».
Não gosto do carniceiro alves nem do pepe nem do ronaldo-vaidoso, acho o postiga uma ficção de jogador inventada pelo seleccionador, não gosto do micael que me tem sempre ar de quem acabou de snifar um tubo de cola, não gosto do pereirita nem como jogador, acho detestável um tipo com ar de arrumador de automóveis tatuado que costuma lá andar, em suma, não gosto destes gajos. E também não gosto do paulo bento, um treinador burro e orgulhoso que em nome dos seus caprichos e da sua inépcia deixa de fora uma série de jogadores que são indiscutivelmente melhores do que muitos que são cronicamente convocados: como é que bosingwa, ricardo carvalho, sílvio, eliseu, quaresma, manel fernandes, hugo viana ou danny não têm lugar nem nesta última convocatória de segundas linhas? Não têm por duas razões muito simples - por orgulho e por inépcia do treinador.
De maneira que estou assim: só porque os tipos ostentam o rótulo da portugalidade eu não tenho que gostar deles. Neste caso a minha aversão às personalidades destes cromos sobrepõe-se ao portuguesismo. A caixa de comentários está pois aberta para me chamarem «traidor à pátria».
14/10/12
Uma ida à casa de banho na República Chega ou Podemos sempre contar com nuestros hermanos, por Kadlek
Há um mês acordei na República
Checa, num sítio onde não conseguia encontrar uma palavra familiar, onde temos
bonitas frases como “Jeho tištěná podoba je zpravidla čtvrtletně k dostání ve
vsetínském knihkupectví Malina, které se podílí na jeho vydávání”. E não, não
faço ideia do que isto significa: copiei a frase do primeiro site checo que
encontrei. Acreditem em mim: só depois de “acordar” num sítio assim é que
entendemos verdadeiramente a importância da nossa língua.
Estou num restaurante e quero ir
à casa de banho. Não há nenhum símbolo indicativo. Tenho apenas duas portas:
numa está escrito “muži“,
na outra “ženy“. E agora? Entro na dos/das “muži“ ou na dos/das “ženy“? Arrisco-me a
entrar na casa de banho do sexo oposto? Espero até voltar para casa?
Poderia ser uma situação desagradável. Felizmente
consegui gerir a situação com a maior habilidade. Já adivinharam? Exacto: o que
fiz foi dizer com toda a confiança que “ženy“ significava “homens”. Depois, deixei o
espanhol que me acompanhava ir à frente. Afinal de contas tinha 50% de
probabilidades de acertar. Falhei, claro.
Foi
pior para o espanhol que para mim,
confesso. Limitei-me a ouvir o berro da senhora quando ele entrou na
casa de banho enquanto ria às gargalhadas com a cara dele. E nunca mais
me esqueci que “muži“ significava “homens“. Ah… e que
no dia em que tiver uma casa de banho na própria empresa vou, sem dúvida, optar
por um símbolo que seja interpretável universalmente!
10/10/12
03/10/12
Coração contra Razão, por Pascoal
O jogo de ontem na Luz foi, para mim, um clássico caso de coração- versus - razão. Não me senti dividido porque sou benfiquista acima de qualquer outro clube. Mas foi um confronto entre a equipa que é, desde sempre e incondicionalmente a minha - o Glorioso - e aquela que foi por mim adoptada desde há uns anos a esta parte, simplesmente, porque pratica o melhor futebol que já vi jogar. Coração e Razão.Nunca tive simpatia especial pelo Barça, mas esta equipa é uma excepção - jogam um futebol magnífico, um assombro de técnica e têm aquele que é, provavelmente, o melhor jogador de todos os tempos, a anos luz de qualquer outro no activo - Leo Messi.
O Benfica perdeu como era expectável e eu não fiquei nem um pouco chateado. A nossa primeira parte foi boa, eles tiveram, como têm de há anos a esta parte seja contra quem for, os mesmos 70% de posse de bola e o árbitro esteve bem (talvez até tenha sido um pouco caseiro).
No fim não houve surpresa e confirmou-se o que já se sabia - que o Benfica não é a melhor equipa do mundo, que o Busquets é melhor que o Matic, o Xavi que o Enzo, o Pedro que o Salvio, o Fabregas que o Lima, o Iniesta que o Gaitan e que o Messi... Bem o Messi veio de nave espacial e regressou depois ao seu planeta.
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