A fonte do Millôr é inesgotável e genial! E não resisti a acompanhar o repto do porco-bacalhau, colocando aqui uma prosa divinal do humorista brasileiro, sobre um tema que sei apaixonar a maioria da vara: A Binhaça!
Como nasceu o vinho (por Millôr Fernandes)
10/07/2002
«Ao leitor desavisado pode parecer incrível aquilo que vou dizer, mas é a verdade mais pura: houve um tempo em que não havia uísque sobre a face da terra (nem de nenhum outro planeta, ao que se saiba). Nem uísque, nem qualquer bebida destilada, nem qualquer bebida alcoólica de qualquer natureza. Nem mesmo o vinho, fabricado na simples fermentação, pai, ou mãe, de todas as bebidas. Basta dizer que, nessa época inglória e tediosa da humanidade, os homens se reuniam nos bares (que um negociante mais hábil já abrira à espera de que alguém inventasse as bebidas) e bebiam água, a terrível água potável que os próprios compêndios definem como inodora, insossa e incolor. Evidentemente, os mais machões botavam dentro da água escorpiões, pimenta malagueta, e outras especiarias picantes e assim salvavam sua reputação diante da posteridade, chegando mesmo, alguns, a fingir um porre que só os séculos vindouros haveriam de trazer. Um dia, porém, sem que esse tivesse nada de extraordinário, um indivíduo chamado Álvaro saiu de uma aldeia em direção a outra, montado na sua mula de estimação, e, com essa viagem normal e rotineira, entrou para a história pela larga porta dos bares do mundo. Álvaro não era um homem fora do comum, era até meio idiota, mas acontece que a história é feita tanto pelo materialismo dialético quanto pelos acasos que a tecem e a regem. E o acaso era que Álvaro levava na sua bagagem alguns cachos de uva com que se entreter durante a viagem. E, como não gostava da casca nem dos caroços da uva, teve a idéia de gênio de espremer o caldo, apenas o caldo, dentro do cantil. Assim preparado, e daquela forma montado, lá se foi ele pelos caminhos de sempre, no troloc-troloc de todas as mulas. Quis, porém, o destino, que dormisse. E quis mais - que a mula perdesse o rumo. Foram sete dias de caminhadas por lugares ínvios e tropicalíssimos, o debilóide Álvaro nada tendo com que se alimentar a não ser o caldo de uvas que levava no cantil. Estranhamente, porém, a partir do terceiro dia, ele notou que o caldo que levava espumava, mudava de cor e gosto. E que, ao tomar o caldo, ele, Álvaro, se sentia de novo recomposto e pronto para viajar mais 24 horas. Tanto que, quando chegou a seu destino, depois de uma semana, ele declarou logo que, apesar de tudo, fizera a viagem mais maravilhosa de sua vida. Não fora, positivamente, uma bad-trip. Imediatamente, todo mundo quis experimentar a bebida de Álvaro, mas, como a bebida acabasse rapidamente, inúmeros candidatos a bêbedo começaram a percorrer o mesmo trajeto que ele, munidos de alforjes cheios de suco de uva, escondidos embaixo do traseiro quente. E logo a estrada se transformou na maior via turística da Espanha, e a Municipalidade, querendo aumentar a produção do milagroso líquido, transformou a estrada no labirinto mais sinuoso e complicado de toda a cristandade. Uma vez, porém, uma mula, teimosa como todas as de sua raça, resolveu empacar no meio da estrada, ficou uma semana em pleno sol sem se mover do lugar e o dono do animal descobriu, subitamente, um avanço na fabricação da bebida, concluindo que não era a caminhada que a produzia, mas a fermentação através dos raios solares. E aí se inventaram os alambiques. E aí se criaram os vinhos especiais, os álcoois em geral e as aguardentes em particular. E aí vieram as cervejas, as garrafas e as latas indestrutíveis e sem devolução. E aí foi inventada a poluição. Mas isso é outra história.
PS - Por que a bebida se chamou vinho? O homem se chamava Álvaro, como dissemos. Na intimidade, Alvinho. A homenagem foi apenas natural.
MORAL: O verdadeiro toque de gênio do primeiro bêbedo da história foi se lembrar de levar caldo de uva para se dessedentar. Se, por exemplo, tivesse levado leite, o mundo hoje teria que se contentar em se embriagar com coalhadas e ricotas.» (Crónica extraída do livro "Fábulas Fabulosas")
Blog da RS.T - Real Esseponto do Tinto - Coimbra - Os Três Pastorinhos também bebiam o seu copito
18/08/04
14/08/04
Paris Hilton
Um dos maiores sucessos da internet: o video caseiro da herdeira da cadeia de hóteis, o melhor ícone da pós-modernidade: Paris Hilton. Siga o link, veja o video inteiramente grátis e contribua para a ascensão do Tapor.
08/08/04
O dia dos três Bês, por Bibi
A Confraria Satânica anda dispersa: Trinitá&Bambino banham-se a Sul, Mangas transporta a família, Nestum às voltas com a tese, o Banderas com muito trabalho e o Tinó deve andar nas ilhas gregas. Os outros não sei. Restamos eu e o Mau. Somos apenas dois confrades, mas tivémos ontem um dia em grande. O dia dos três Bês. Ou the BBB day. Bê de birdie, Bê de Bacalhau e Bê de broche. Por outras palavras: golf em Montebelo, tibornada de bacalhau em Tondela no 3 Pipos e até podia ter havido brochada no IP3 se aquela drogada desdentada que costuma estar na curva da Aguieira não se tivesse baldado. Como não estava, poupámos 5 euros cada um.
Em Montebelo, o jogo foi excelente. Experimentámos os tacos novos. Desta vez jogámos à tarde. Evitámos os inconvenientes do golf madrugador e saímos de Coimbra depois de almoço. Começámos a jogar pelas 4 da tarde e acabámos já perto das oito. O campo estava por nossa conta. Pelas sete horas, o Sol começa a esvanecer-se e gera-se magicamente aquela luminosidade coada e amarela. Interrompemos o jogo e espojamo-nos na relva. Silêncio absoluto a toda a volta. Não se vê viv'alma. Sente-se só o cheiro da relva a aliviar-se do calor e o ranger dos pinheiros. Sopra uma brisasinha de encomenda, muito leve. O céu está azul. Ao fundo, o Caramulo. Do outro lado, a Estrela reluzente aos últimos raios de Sol. Se os sinos da torre da igreja da aldeiazinha próxima tocassem uma «Avé Maria», aposto que até o Villaret era capaz de aparecer: Tocam os sinos na torre da igreja, / Há rosmaninho e alecrim pelo chão... etc. etc..
Não sei em que é que o Mau estava a pensar. Eu, cá por mim, no meio daquela rusticidade idílica, pensava: «isto agora ia mas era uma brochada!». Mas não havia putas e poupei masi cinco euros. Havia era passarinhos. A passarada andava num rodopio a aproveitar as últimas horas do dia. E nós ali espojados. No fim, um duche relaxador e fica-se com uma sensação de alma cheia. Estamos com fome e rumamos a Tondela, ao restaurante Três Pipos. Recomenda-se. O ambiente é rústico, familiar e acolhedor. Uma sala pequena, íntima e confortável. Serviço atencioso e competente. Como entradas, colocaram-nos umas tacinhas com uma punheta de bacalhau, polvo ensalsado e favas guisadas com chouriço. Bom, muito bom. O indicado para atenuar a fome. Depois, escolhemos cabrito assado no forno e tibornada de bacalhau. O cabrito estava bom, mas a tibornada estava melhor. Migas de broa com couve galega a acompanhar bacalhau cozido e desfiado. Regado com muito e bom azeite, gratinado no forno em taça de barro. Soube muito bem. Tudo acompanhado por um «Foral Grande Escolha 1998» por 11 euros o que, num restaurante, é preço aceitável. A carta de vinhos é, aliás, muito diversificada e tem de tudo. Desde o «Barca Velha 95» a 380 euros até ao «Pedra da Sé» a 4 euros. No final, sobremesas (eu comi um doce da casa feito de mousse, leite creme, natas, bolacha e noz moída, e o Mau comeu já não me lembro o quê) e café. 20 euros a cada um. Está bem, é um preço justo.
Pelo caminho, falámos de muita coisa. O Mau informou que anda a ler uma biografia de Goya e que este apelido é basco. Falámos de Goya. Por isso e lembrando-me também do post sobre a Olympia de Manet, onde o Grunfo referiu nos comentários como a Maja de Goya infuenciou a tela de Manet, decidi alinhar algumas reflexões.
Em Montebelo, o jogo foi excelente. Experimentámos os tacos novos. Desta vez jogámos à tarde. Evitámos os inconvenientes do golf madrugador e saímos de Coimbra depois de almoço. Começámos a jogar pelas 4 da tarde e acabámos já perto das oito. O campo estava por nossa conta. Pelas sete horas, o Sol começa a esvanecer-se e gera-se magicamente aquela luminosidade coada e amarela. Interrompemos o jogo e espojamo-nos na relva. Silêncio absoluto a toda a volta. Não se vê viv'alma. Sente-se só o cheiro da relva a aliviar-se do calor e o ranger dos pinheiros. Sopra uma brisasinha de encomenda, muito leve. O céu está azul. Ao fundo, o Caramulo. Do outro lado, a Estrela reluzente aos últimos raios de Sol. Se os sinos da torre da igreja da aldeiazinha próxima tocassem uma «Avé Maria», aposto que até o Villaret era capaz de aparecer: Tocam os sinos na torre da igreja, / Há rosmaninho e alecrim pelo chão... etc. etc..
Não sei em que é que o Mau estava a pensar. Eu, cá por mim, no meio daquela rusticidade idílica, pensava: «isto agora ia mas era uma brochada!». Mas não havia putas e poupei masi cinco euros. Havia era passarinhos. A passarada andava num rodopio a aproveitar as últimas horas do dia. E nós ali espojados. No fim, um duche relaxador e fica-se com uma sensação de alma cheia. Estamos com fome e rumamos a Tondela, ao restaurante Três Pipos. Recomenda-se. O ambiente é rústico, familiar e acolhedor. Uma sala pequena, íntima e confortável. Serviço atencioso e competente. Como entradas, colocaram-nos umas tacinhas com uma punheta de bacalhau, polvo ensalsado e favas guisadas com chouriço. Bom, muito bom. O indicado para atenuar a fome. Depois, escolhemos cabrito assado no forno e tibornada de bacalhau. O cabrito estava bom, mas a tibornada estava melhor. Migas de broa com couve galega a acompanhar bacalhau cozido e desfiado. Regado com muito e bom azeite, gratinado no forno em taça de barro. Soube muito bem. Tudo acompanhado por um «Foral Grande Escolha 1998» por 11 euros o que, num restaurante, é preço aceitável. A carta de vinhos é, aliás, muito diversificada e tem de tudo. Desde o «Barca Velha 95» a 380 euros até ao «Pedra da Sé» a 4 euros. No final, sobremesas (eu comi um doce da casa feito de mousse, leite creme, natas, bolacha e noz moída, e o Mau comeu já não me lembro o quê) e café. 20 euros a cada um. Está bem, é um preço justo.
Pelo caminho, falámos de muita coisa. O Mau informou que anda a ler uma biografia de Goya e que este apelido é basco. Falámos de Goya. Por isso e lembrando-me também do post sobre a Olympia de Manet, onde o Grunfo referiu nos comentários como a Maja de Goya infuenciou a tela de Manet, decidi alinhar algumas reflexões.
06/08/04
Junk post nº 2
Advertência prévia:
Para rebentar de vez com as coronárias da dupla de censores Trinitá&Bambino autoproclamados como de fino gosto e autoridades vigilantes da qualidade postal do Tapor. Quando chegarem de férias e digitarem nos teclados www.tapornumporco.blogspot.com, hão-de sentir-se como aquelas famílias cheias de apelidos, como duplos éles e ipsilons nos nomes que foram passar a Páscoa de 74 à Suíça e quando regressaram às herdades viram a malta camarada da UCP a limpar o cu às rendas de bilros, as galinhas a pôr ovo nas mesinhas de jogo de pau-santo, o oratório da avó e o contador indo-português postos na coelheira e o faqueiro de prata a trinchar galinha velha mais os cristais alemães para sorver vinho a martelo. Mas é assim mesmo, o Porco é do povo, o Tapor está em auto-gestão. Como estamos na silly season, seguimos o exemplo do «Público» com aquela nova secção inominável assinada por pseudónimos originais, criativos e engraçados como Liv Vulva e Linda Copolace, e mandamos disparate para a frente. Pedimos desculpa por qualquer inconveniente e recomendamos os posts do Mangas.
Pela Comissão de Trabalhadores:
Sandokan
E agora, o post propriamente dito:
- Já cá vieram os senhores da SIC ou da TVI, ou lá o que eram eles, mas se os senhores quiserem eu volto a contar tudo outra vez.
- Se não se importa. Zé, estás pronto? Ok. Vamos lá então. Pronto. Comece lá então, minha senhora.
- Eu estava aqui atarefada com a lida da casa, quando tive que ir lá abaixo, à loja, comprar um raminho de coentros para pôr nos pézinhos. Ora, sucede que quando regressei, senti um barulho esquisito no quarto. Chamei pelo meu Armando mas ele não respondeu. Fui devagarinho e abri a porta porque ouvi o homem a arfar, a arfar, como se estivesse com a asma, assim com uma gosma muito funda. Quando entrei e acendi a luz da mesinha de cabeceira, foi então que a vi em cima do meu Armando. Apanhei um susto que até dei um salto para trás que até ia caindo, o que vale é que me agarrei ao cortinado. Estava ela, uma brasileira com umas cuecas daquelas muito pequeninas que até se lhe metiam pelo rego dentro e com um sutiã assim de pele de leopardo ou coisa que o valha, posta em cima do meu homem a chupá-lo com tanta força que ele, coitadinho, até estava sem respiração. E ela, a puta de merda, chupava, chupava com tanta força que nem me ouviu. Eu peguei no telemóvel e telefonei para a minha filha mais velha,ela até está a estudar Comunicação Social e casou agora há pouco tempo, e disse-lhe para vir cá depressa que o paizinho dela estava aflito a ser chupado por uma puta brasileira. Ela chegou num instante, foi mais rápido do que o diabo a esfregar um olho. Ela queria ir lá salvar o paizinho. Eu é que não deixei. Sabe-se lá o que podia acontecer. A minha filha chamou logo os bombeiros que separaram a desgraçada da brasileira que deixou a piça do meu homem toda cheia de nódoas negras, cheinha de chupões. O desgraçadinho teve que ir de urgência para o hospital de Santa Maria, que nem podia respirar. Mas a senhora doutora que o atendeu já disse que ele está melhorzinho e se Deus quiser vai ficar bom.
- E teve apoio de alguém? Psicólogo, ou assim?
- Tive sim senhor. Lá isso não me posso queixar. O senhor presidente já foi visitar o meu marido e até lhe deu a Grã Cruz da Ordem de Santiago.
Para rebentar de vez com as coronárias da dupla de censores Trinitá&Bambino autoproclamados como de fino gosto e autoridades vigilantes da qualidade postal do Tapor. Quando chegarem de férias e digitarem nos teclados www.tapornumporco.blogspot.com, hão-de sentir-se como aquelas famílias cheias de apelidos, como duplos éles e ipsilons nos nomes que foram passar a Páscoa de 74 à Suíça e quando regressaram às herdades viram a malta camarada da UCP a limpar o cu às rendas de bilros, as galinhas a pôr ovo nas mesinhas de jogo de pau-santo, o oratório da avó e o contador indo-português postos na coelheira e o faqueiro de prata a trinchar galinha velha mais os cristais alemães para sorver vinho a martelo. Mas é assim mesmo, o Porco é do povo, o Tapor está em auto-gestão. Como estamos na silly season, seguimos o exemplo do «Público» com aquela nova secção inominável assinada por pseudónimos originais, criativos e engraçados como Liv Vulva e Linda Copolace, e mandamos disparate para a frente. Pedimos desculpa por qualquer inconveniente e recomendamos os posts do Mangas.
Pela Comissão de Trabalhadores:
Sandokan
E agora, o post propriamente dito:
- Já cá vieram os senhores da SIC ou da TVI, ou lá o que eram eles, mas se os senhores quiserem eu volto a contar tudo outra vez.
- Se não se importa. Zé, estás pronto? Ok. Vamos lá então. Pronto. Comece lá então, minha senhora.
- Eu estava aqui atarefada com a lida da casa, quando tive que ir lá abaixo, à loja, comprar um raminho de coentros para pôr nos pézinhos. Ora, sucede que quando regressei, senti um barulho esquisito no quarto. Chamei pelo meu Armando mas ele não respondeu. Fui devagarinho e abri a porta porque ouvi o homem a arfar, a arfar, como se estivesse com a asma, assim com uma gosma muito funda. Quando entrei e acendi a luz da mesinha de cabeceira, foi então que a vi em cima do meu Armando. Apanhei um susto que até dei um salto para trás que até ia caindo, o que vale é que me agarrei ao cortinado. Estava ela, uma brasileira com umas cuecas daquelas muito pequeninas que até se lhe metiam pelo rego dentro e com um sutiã assim de pele de leopardo ou coisa que o valha, posta em cima do meu homem a chupá-lo com tanta força que ele, coitadinho, até estava sem respiração. E ela, a puta de merda, chupava, chupava com tanta força que nem me ouviu. Eu peguei no telemóvel e telefonei para a minha filha mais velha,ela até está a estudar Comunicação Social e casou agora há pouco tempo, e disse-lhe para vir cá depressa que o paizinho dela estava aflito a ser chupado por uma puta brasileira. Ela chegou num instante, foi mais rápido do que o diabo a esfregar um olho. Ela queria ir lá salvar o paizinho. Eu é que não deixei. Sabe-se lá o que podia acontecer. A minha filha chamou logo os bombeiros que separaram a desgraçada da brasileira que deixou a piça do meu homem toda cheia de nódoas negras, cheinha de chupões. O desgraçadinho teve que ir de urgência para o hospital de Santa Maria, que nem podia respirar. Mas a senhora doutora que o atendeu já disse que ele está melhorzinho e se Deus quiser vai ficar bom.
- E teve apoio de alguém? Psicólogo, ou assim?
- Tive sim senhor. Lá isso não me posso queixar. O senhor presidente já foi visitar o meu marido e até lhe deu a Grã Cruz da Ordem de Santiago.
04/08/04
DELÍRIOS de VERÃO (autênticos), por Gajo sem Férias
O doutor Fausto Cruz da Silva andava em campanha eleitoral pela província. Era cabeça de lista pelo círculo de Valença e foi visitar um lar da terceira idade com a SIC e a RTP atrás. A meio do lanche, com os velhinhos arranjados para a televisão, o candidato falou dos anos que levava ao serviço da comunidade.
- Ao serviço da comunidade, o caralho! Puta que o pariu! Que diga que anda há mais de duas dúzias de anos a chupar nas tetas da porca, a engordar a pança. Serviço da comunidade o caralho que o foda...
- Calma, senhor Ambrósio, olhe que ainda lhe dá alguma coisa...
- Calma mas é o caralho, este chulo do caralho vem aqui foder-me os ouvidos com esta merda de paleio de puta e você, sua vaca do caralho, ainda me manda ter calma? Vá mas é para o c....arghhhh...nhec....clak...grrrrr...aghhhh...ufffff....arf..arfff..
- Acudam, está a dar um ataque ao senhor Ambrósio. Depressa, plano 1 de emergência.
E da porta da cozinha, daquelas portas tipo saloon do far-west saem duas gajas em lingerie de pele de leopardo. Da porta das traseiras vem uma loura toda nua com as mamas a abanar (cahalop, cachalop), de trás do cortinado salta uma mulata brasileira com a bunda redonda que se atira ao senhor Ambrósio. Enquanto as da lingerie lhe despem as calças, cumprindo os procedimentos de emergência para estas situações, a senhorita das mamas a abanar afaga-lhe os colhões enquanto a brasileira se apresta para o fellatio recomendado nestas situações. De súbito, a governanta do lar «O Alegre Idoso», licenciada em Serviço Social, solta um grito indignada:
- Pára! Stop! Mas que é esta merda? Uma brasileira? De onde é que você é, minha querida?
- Ué... como assim? Eu sou lá do Nordeste. Porquê? Não presta, não?
- Pó caralho! - berra a governanta - estou farta desta merda. Na receita estava «uma brasileira do Rio Grande do Sul» e estes cabrões trocam-me a receita! O broche tem que ser feito por uma brasileira do Rio Grande do Sul, não pode ser do Nordeste, senão o paciente corre risco de vida!
- Ué! Eu não sabia não. E agora?
- Agora, foda-se! Agora segue em frente, mas vai levar um processo disciplinar!
Apesar deste incidente, o senhor Ambrósio foi salvo. O Presidente Sampaio agraciou a governanta Leontina com a medalha de mérito industrial. E fez um discurso lindo. Na hora da despedida, o presidente Sampaio arrebatou os aplausos da multidão e concluiu o discurso com um pedido dito com a voz embargarda de comoção:
- E tragam-me a taça de Atenas. Já que não ganhámos o Euro, tragam pelo menos a medalha de ouro na modalidade «Save Ambrosio, that great son of a bitch»
- Ao serviço da comunidade, o caralho! Puta que o pariu! Que diga que anda há mais de duas dúzias de anos a chupar nas tetas da porca, a engordar a pança. Serviço da comunidade o caralho que o foda...
- Calma, senhor Ambrósio, olhe que ainda lhe dá alguma coisa...
- Calma mas é o caralho, este chulo do caralho vem aqui foder-me os ouvidos com esta merda de paleio de puta e você, sua vaca do caralho, ainda me manda ter calma? Vá mas é para o c....arghhhh...nhec....clak...grrrrr...aghhhh...ufffff....arf..arfff..
- Acudam, está a dar um ataque ao senhor Ambrósio. Depressa, plano 1 de emergência.
E da porta da cozinha, daquelas portas tipo saloon do far-west saem duas gajas em lingerie de pele de leopardo. Da porta das traseiras vem uma loura toda nua com as mamas a abanar (cahalop, cachalop), de trás do cortinado salta uma mulata brasileira com a bunda redonda que se atira ao senhor Ambrósio. Enquanto as da lingerie lhe despem as calças, cumprindo os procedimentos de emergência para estas situações, a senhorita das mamas a abanar afaga-lhe os colhões enquanto a brasileira se apresta para o fellatio recomendado nestas situações. De súbito, a governanta do lar «O Alegre Idoso», licenciada em Serviço Social, solta um grito indignada:
- Pára! Stop! Mas que é esta merda? Uma brasileira? De onde é que você é, minha querida?
- Ué... como assim? Eu sou lá do Nordeste. Porquê? Não presta, não?
- Pó caralho! - berra a governanta - estou farta desta merda. Na receita estava «uma brasileira do Rio Grande do Sul» e estes cabrões trocam-me a receita! O broche tem que ser feito por uma brasileira do Rio Grande do Sul, não pode ser do Nordeste, senão o paciente corre risco de vida!
- Ué! Eu não sabia não. E agora?
- Agora, foda-se! Agora segue em frente, mas vai levar um processo disciplinar!
Apesar deste incidente, o senhor Ambrósio foi salvo. O Presidente Sampaio agraciou a governanta Leontina com a medalha de mérito industrial. E fez um discurso lindo. Na hora da despedida, o presidente Sampaio arrebatou os aplausos da multidão e concluiu o discurso com um pedido dito com a voz embargarda de comoção:
- E tragam-me a taça de Atenas. Já que não ganhámos o Euro, tragam pelo menos a medalha de ouro na modalidade «Save Ambrosio, that great son of a bitch»
23/07/04
Uma Merda Qualquer, por Jota Tózito

(...) Como não tenho assim de repente comezainas dignas de relato e de vinhos não sei teorizar, muito menos polemizar (só se for gratuito, assim tipo o vinho é uma merda e provoca acidentes rodoviários), vou aqui escrever de uma merda qualquer só para cumprir a quota de produção quinquenal do porco. E assim de repente apeteceu-me escrever precisamente sobre uma merda qualquer, que é precisamente a atitude e a natureza da obra que aqui venho comentar. São uns gajos quaisqueres, num escritório qualquer, a dizer umas merdas quaisqueres. Um ambiente “de merda” qualquer. E é hilariante! A coisa chama-se The Office, podia ser vista até há pouco tempo na Britcom da RTP2, e só me admira não ter sido ainda aqui grunhida. Para quem não viu, resumidamente, é um escritório qualquer, numa cidade qualquer na Inglaterra, onde trabalha um jovem bando de gente banal, uma equipa de trabalho, alguns perfeitamente “normais”, mas a maioria deliciosamente ridícula e idiossincrática, onde se realçam os super-cromos, como o chefe, que ele sozinho é uma série humorística. Este contexto é, enfim, o material base desta genial série humorística inglesa, filmada e encenada numa paródia aos reality shows como o Big Brother, a presença das câmaras está lá mas é como se não estivesse e os actores como que “fingem” que as câmaras não estão lá. A intenção é realçar à série a sua natureza de “vida real num escritório”, com um monte de gente que só diz merda. Com um elenco do melhor que há, um mimo, dignos sucessores, os criativos e os actores, do glorioso e terrível gang do Fliyng Circus (E um poste sobre A vida de Brian?). À cabeça, incontornável, o chefe pintas com a mania que tem piada mas sem piada nenhuma mas que acaba por ser o que tem mais piada: David Brent (interpretado por Ricky Gervais, a dançar para o pessoal numa festa de angariação de fundos para caridade na foto afixada neste poste). Um portento de cagar a rir com as suas investidas de charme falhadas, com a sua auto-estima inabalável e a sua ânsia de “animar a malta” e ser popular (ou populista) a contar anedotas de merda e a fazer figuras tristes. Outra figurinha gigante é Gareth Keenan (Mackenzie Crook), empregado do escritório, magricelas e penteado à foda-se dos anos 80 (Limal e assim essa gente), que tem sempre umas saídas fabulosas, principalmente com as mulheres, com a subtileza de um rinoceronte cruzado de Fernando Rocha, e anda sempre rodeado de objectos hilariantes. Na secretária ao lado merece menção ainda o gajo certinho deste filme, o empregado Tim Canterbury (Martin Freeman), talvez o mais afectado pela mediocridade que o rodeia, como adianta o site da série http://www.bbc.co.uk/comedy/theoffice, e que nutre uma irresistível atracção pela loira mamalhuda da recepção, apesar do grunho do namorado desta, que parece passar a vida, de resto, pendurado no escritório da namorada. Esta série, segundo julgo saber, saiu recentemente em DVD, portanto não deve ser muito difícil de encontrar e vale a pena.É um espelho fabuloso. E acho que chega para espicaçar a curiosidade, para ninguém reclamar com o peso e para preencher a Quota do Porco.
19/07/04
Morreu o Euro, renasceu o cinema!, por D. Vito
Nas últimas duas semanas, resolvi actualizar a minha agenda de filmes que ainda não tinha visto e precisava desesperadamente de ver. Foi óptimo. Vi, apenas, os seguintes filmes:
Shreck 2 - Para além de acabar de vez com a lamechice pegada e a moral politicamente correcta dos filmes da Disney – imaginem um casal de ogres que se peida na lama, dá cabeçadas em príncipes bonitos e faz festas malucas ao som dos Chic e do Ricky Martin –, os cenários parecem sonhos arrancados à nossa cabeça de quando éramos miúdos. ****
E a tua mãe também, Alfonso Cuarón - Há neste filme um sentido de humor que tem algo de latino, burlesco e cruel. Uma viagem no México, é também um choque entre a energia de viver e os tabus sociais. ****
Black Hawk Down, Ridley Scott – Ideologicamente pode ser mistificador, com a sua mensagem muito simples: «fazemos isto pelo gajo do lado»... A violência é tanta que chega a ser enjoativo. E os Somalis ganharam a guerra… Mas é uma excelente realização. ***
Red Dragon, Brett Ratner - Um bom filme, mas é o menos bom da trilogia. Deixa na sombra o personagem mais interessante, precisamente, o Dr. Lecter. Não consegue ultrapassar a condição de filme policial, embora seja excelente, enquanto tal. A relação entre o Dragão e a mulher cega é o aspecto mais interessante do filme (remete para Sartre e para a sua poderosa metáfora do olhar). ***
Hannibal, Ridley Scott – Excelente. Uma história de amor com o mesmo encanto da de Shreck, quem diria?*****
Elephant, Gus Van Sant – O massacre de Colombine chega ao cinema. Já tinha decorrido meia hora de filme e eu preparava-me para desistir quando, de repente, deu-me um click. É excelente, filma um segmento temporal muito reduzido de uma maneira muito peculiar à luz das diferentes perspectivas dos vários personagens. A mesma cena vista a partir do olhar das várias personalidades que por ali se cruzam. Amoral. ****
Cidade de Deus, Fernando Meirelles - O melhor filme brasileiro que alguma vez me foi dado a ver. Um manifesto de violência, a história da favela que a história oficial nunca faria. A narrativa é brilhante e transcende a linearidade do argumento. *****
11/07/04
Viva a República! O génio não é hereditário, provam-no os vinhos da Filipa Pato! Hoje, vou escrever à Saramago que foi agraciado com o título de doutor honoris causa na universidade de Coimbra. (Na verdade, o post foi alterado alguns dias depois, porque o autor não percebeu o que escrevera). Em sua homenagem vou escrever à maneira do escritor com a testa mais esquisita da história da literatura, talvez só equiparável ao Anatole France que tinha uma cabeça com dimensões incompatíveis com os feitos literários de acordo com os saberes científicos daquele seu ingrato tempo. Fosse tal prova ainda necessária e pela bizarria craniana do genial autor de Memorial do Convento se contestariam as teses de Johann Gaspar Spurzheim, fundador da frenologia, bem assim como de todos os frenólogos que já não existem. Perdoe-me o leitor estas minhas considerações prévias que mais não são do que preparativos para atacar o que no início deixei dito a propósito da república, da hereditariedade, do génio e da estreia enófila da bela filha de Luís Pato, célebre produtor da Bairrada. Ou melhor, das Beiras, caso prefira ter em consideração as divergências do autor da Vinha Pan ,Vinha Barrosa,Vinha Barrio, Quinta do Moinho e outras preciosidades, com destaque para o mítico Quinta do Ribeirinho Baga Pé Franco. Quero eu dizer então que se o génio dos escritores se não mede pela testa, assim também se não avaliará a qualidade dos enólogos pelo apelido de família ou pela formosura do rosto, posto que se assim procedêssemos seguramente a bela flor oriunda de Óis do Bairro nos mereceria os mais elevados encómios. Mas não, e é pena que os vinhos desmereçam a beleza do rosto que os concebe. Fosse esta regra uma das leis do universo e excelentes seriam os vinhos de Filipa, contrastando com os de seu pai. É porém Republicano o Mundo, e assim a qualidade do vinho deve ao génio tanto quanto é alheio à beleza das mãos que o criam.
Espero, aqui chegado, contar com a compreensão do meu caro leitor e agora lhe confidencio que a Real Esseponto do Tinto se deslocou na passada sexta-feira à cidade de Aveiro. Jantámos no Salpoente uma sopa de peixe que não estava má. Para alguns estava mesmo excelente, que não para mim que não vi suplantada a sopa de peixe do famoso e há já muito remodelado Centenário. Tal como a caldeirada que a quase todos agradou, que não a mim, mais uma vez ficando já eu amedrontado por ser tomado do contra. Mas, também aqui, não consegui ver ultrapassada a memória das belas caldeiradas de Peniche. Enfim, bem servidos. Presença marcaram, para além deste cronista humilde imitador e grande admirador de Fernão Lopes nesta tarefa de legar ao futuro marca dos feitos memoráveis, como quem carimba o tempo com as palavras do presente, o nosso Grão, o Mister (que atende pesados telefonemas às 3 da manhã), o Corneiro, o Banderas mais um convidado, o Mau, o Chulé, o Camisa Rosa, o Nini e o Vice. O abstémio Nini ganhou a prova cega com vinho de meia dúzia de euros - um tal de Barroso - que a todos agradou, provando-se como a lição do José Neiva é seguida por outras bandas. Surpresa foi porém, já no final do concurso quando encarapuçados só restavam dois tintos - um destinado à glória do lugar mais alto do podium e o outro a lançar à lama da ignomínia. No momento imediatamente anterior ao desvendar da resultado final, conformado estava o abstémio Nini com o lugar derradeiro que julgava seu, tanto mais que o parceiro na disputa, sabia-o ele, era um Filipa Pato de seu nome Ensaios. Julgo eu, e sabia-o o Nini, pertencente ao Vice, dado que o acompanhou de Coimbra à longínqua Águeda onde, sob generoso conselho, encontrou uma garrafeira disposta a ceder uma garrafa desta estreia da jovem filha do génio de Óis do Bairro. Aí chegados, o garrafeiro informou o nosso Vice que só dispensava a ambicionada garrafa às caixas de meia dúzia, exigência que não convidou o nosso confrade à reflexão, pois que se rara fosse a qualidade do vinho, intensa seria a demanda e doseada a venda. Mas não. Inverso era o que ali se passava e meia dúzia de garrafas comprou o nosso Vice. Com uma garrafita de Barroso se aconselhou o Nini e a adquiriu no mesmo estabelecimento. Voltemos pois à mesa do Salpoente, sabendo agora o leitor que na disputa final entre a glória e a desonra se encontravam dois peregrinos de Águeda: um portador satisfeito da obra de Filipa e o outro desinteressado apresentador de um vinho que o próprio mal conseguia nomear. Lançada estava a sorte e feito estava o escrutínio. Faltava apenas saber a quem seria entregue o troféu do vencedor. Convencido estava o Nini da derrota e discretamente ufano o Vice se antevia já na vitória. E eis que, quando o Mau desencarapuça o último lugar, se desvenda o primeiro por lógica exclusão. Caído o manto se revela o Ensaio de Filipa! Fosse o vinho reflexo da beleza do enólogo que o criou e de outro modo se entenderia este despir da garrafa que assim se exibiu aos olhos incrédulos de todos, provocando a gargalhada incontida do Abstémio e inesperado vencedor, o escárnio de todos os que mais uma vez renovaram a satânica tradição de calcar o vencido e o inconsolável desânimo do vencido Vice que agora se via com cinco indesejadas garrafas de Filipa Pato na bagageira do carro. Garrafas que poucas horas antes formavam um tesouro entretanto desqualificado. Tal é o efeito do juízo dos confrades, inversa alquimia se pode designar, e que por secretas sentenças unanimemente rejeitaram o Ensaio de Filipa, quais carbonários que fulminaram a herdeira do Pato.
Espero, aqui chegado, contar com a compreensão do meu caro leitor e agora lhe confidencio que a Real Esseponto do Tinto se deslocou na passada sexta-feira à cidade de Aveiro. Jantámos no Salpoente uma sopa de peixe que não estava má. Para alguns estava mesmo excelente, que não para mim que não vi suplantada a sopa de peixe do famoso e há já muito remodelado Centenário. Tal como a caldeirada que a quase todos agradou, que não a mim, mais uma vez ficando já eu amedrontado por ser tomado do contra. Mas, também aqui, não consegui ver ultrapassada a memória das belas caldeiradas de Peniche. Enfim, bem servidos. Presença marcaram, para além deste cronista humilde imitador e grande admirador de Fernão Lopes nesta tarefa de legar ao futuro marca dos feitos memoráveis, como quem carimba o tempo com as palavras do presente, o nosso Grão, o Mister (que atende pesados telefonemas às 3 da manhã), o Corneiro, o Banderas mais um convidado, o Mau, o Chulé, o Camisa Rosa, o Nini e o Vice. O abstémio Nini ganhou a prova cega com vinho de meia dúzia de euros - um tal de Barroso - que a todos agradou, provando-se como a lição do José Neiva é seguida por outras bandas. Surpresa foi porém, já no final do concurso quando encarapuçados só restavam dois tintos - um destinado à glória do lugar mais alto do podium e o outro a lançar à lama da ignomínia. No momento imediatamente anterior ao desvendar da resultado final, conformado estava o abstémio Nini com o lugar derradeiro que julgava seu, tanto mais que o parceiro na disputa, sabia-o ele, era um Filipa Pato de seu nome Ensaios. Julgo eu, e sabia-o o Nini, pertencente ao Vice, dado que o acompanhou de Coimbra à longínqua Águeda onde, sob generoso conselho, encontrou uma garrafeira disposta a ceder uma garrafa desta estreia da jovem filha do génio de Óis do Bairro. Aí chegados, o garrafeiro informou o nosso Vice que só dispensava a ambicionada garrafa às caixas de meia dúzia, exigência que não convidou o nosso confrade à reflexão, pois que se rara fosse a qualidade do vinho, intensa seria a demanda e doseada a venda. Mas não. Inverso era o que ali se passava e meia dúzia de garrafas comprou o nosso Vice. Com uma garrafita de Barroso se aconselhou o Nini e a adquiriu no mesmo estabelecimento. Voltemos pois à mesa do Salpoente, sabendo agora o leitor que na disputa final entre a glória e a desonra se encontravam dois peregrinos de Águeda: um portador satisfeito da obra de Filipa e o outro desinteressado apresentador de um vinho que o próprio mal conseguia nomear. Lançada estava a sorte e feito estava o escrutínio. Faltava apenas saber a quem seria entregue o troféu do vencedor. Convencido estava o Nini da derrota e discretamente ufano o Vice se antevia já na vitória. E eis que, quando o Mau desencarapuça o último lugar, se desvenda o primeiro por lógica exclusão. Caído o manto se revela o Ensaio de Filipa! Fosse o vinho reflexo da beleza do enólogo que o criou e de outro modo se entenderia este despir da garrafa que assim se exibiu aos olhos incrédulos de todos, provocando a gargalhada incontida do Abstémio e inesperado vencedor, o escárnio de todos os que mais uma vez renovaram a satânica tradição de calcar o vencido e o inconsolável desânimo do vencido Vice que agora se via com cinco indesejadas garrafas de Filipa Pato na bagageira do carro. Garrafas que poucas horas antes formavam um tesouro entretanto desqualificado. Tal é o efeito do juízo dos confrades, inversa alquimia se pode designar, e que por secretas sentenças unanimemente rejeitaram o Ensaio de Filipa, quais carbonários que fulminaram a herdeira do Pato.
02/07/04
'Bora rebentar com o Google
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(post inspirado em Garrafa Vazia Segunda-feira, Abril 26, 2004)
(post inspirado em Garrafa Vazia Segunda-feira, Abril 26, 2004)
01/07/04
Pele curta, por Cão Maniche: Caniche
Um homem ficou sem gasolina num pinhal muito ermo. Era noite alta. Não havia telemóveis. Entre as árvores, o perdido viu uma luz eléctrica. Dirigiu-se lá. Era uma casa. Bateu à porta. Um homem veio abrir. Vivia ali sozinho. Não tinha telefone. Disse o homem da casa: “O melhor é você dormir aí no sofá da sala, que de manhã logo se vê.” O visitante agradeceu a hospitalidade, mas avisou: “Mas olhe que tenho a doença da pele curta...” O da casa disse: “Homem, isso não me interessa. Você no sofá e eu na minha cama!” E pronto, lá se foram deitar.
O resto da noite foi horrível para o dono da casa. Um cheiro insuportável tornou-lhe o sono impossível. De manhãzinha, irritado e olheirento, ralhou com a visita: “Um gajo oferece a casa e você faz dela uma suinicultura ilegal, gaita!”. O hóspede respondeu: “Mas eu disse-lhe que sofria da doença da pele curta...” E o da casa: “Mas que porra de doença é essa?” E o outro: “Sabe, é que tenho a pele tão curta, que, quando fecho os olhos para dormir, abre-se-me o olho do cu...”
O leitor desculpe. Mas esta anedota, que me foi contada pelo meu máximo amigo Fernando Nabais, é o que me ocorre quando vejo uma das milhares de bandeiras nacionais ao eurovento. Por mais bandeiras que estiquem, não é possível tapar o défice, nem o esgoto a céu aberto, nem o tribunal degradado, nem a escola fechada, nem a impostura dos impostos, nem a Ribeira dos Milagres, nem o futuro.
Nem é pela bandeira ser curta. É por fecharmos os olhos.
O resto da noite foi horrível para o dono da casa. Um cheiro insuportável tornou-lhe o sono impossível. De manhãzinha, irritado e olheirento, ralhou com a visita: “Um gajo oferece a casa e você faz dela uma suinicultura ilegal, gaita!”. O hóspede respondeu: “Mas eu disse-lhe que sofria da doença da pele curta...” E o da casa: “Mas que porra de doença é essa?” E o outro: “Sabe, é que tenho a pele tão curta, que, quando fecho os olhos para dormir, abre-se-me o olho do cu...”
O leitor desculpe. Mas esta anedota, que me foi contada pelo meu máximo amigo Fernando Nabais, é o que me ocorre quando vejo uma das milhares de bandeiras nacionais ao eurovento. Por mais bandeiras que estiquem, não é possível tapar o défice, nem o esgoto a céu aberto, nem o tribunal degradado, nem a escola fechada, nem a impostura dos impostos, nem a Ribeira dos Milagres, nem o futuro.
Nem é pela bandeira ser curta. É por fecharmos os olhos.
23/06/04
Entrevista ao Nosso Primeiro (exclusivo mundial do Porco)
O Grande Chefe confessa: «Eu acho que sim»
Por Jocta Silva das Neves i Mendez Arrazabal Supino i Joselito Antunes (com ajudantes)
Numa altura de conjuntura internacional, o Nosso Primeiro Ministro de Portugal acedeu a conversar connosco, três anos depois de solicitada a entrevista. Tivemos sorte com o timing porque calha em cima do Campeonato Europeu da Bola que, como todos alegadamente sabemos, se realiza no nosso País. Sem papas na língua, cárie nos dentes ou escorbuto nos lábios, o governante falou connosco e para o gravador no seu gabinete de trabalho, com cortinas beje debruadas a folhos azul celeste. E foi assim que aconteceu:
Pergunta: Bem, estamos aqui com o Nosso Primeiro numa entrevista exclusiva, em termos mundiais, para o Tapornumporco. Bom dia, Senhor Primeiro, o que é que acha?
Resposta: Eu acho que sim. Estou perfeitamente convicto que sim.
P: Sim senhor, estamos a gostar da sua frontalidade. Então e sobre o Europeu da Bola? O que é que pensa?
R: Bem, sobre essa matéria, já pedi aos meus assessores que estudassem aprofundadamente o dossier e estou à espera das conclusões. Sabe que estas coisas são muito demoradas.
P: Pois muito bem. E qual é a sua opinião pessoal?
R: Sobre essa matéria penso que temos possibilidades de lá chegar, e a minha mulher concorda comigo. Mas, lá está, também há possibilidades de não termos, por isso há que ser cauteloso nos prognósticos. E é como digo, quando tiver nas mãos o estudo aprofundado poderei responder com outra profundidade. Sabe que estas coisas requerem muito estudo, mas há que ser optimista, temos de ter fé, não é? Pois, eu também acho que sim. De resto, fui ontem à pastelaria ali ao lado do Governo tomar a bica e um pastelinho, e sai de lá convencidíssimo que sim, reforcei esta convicção.
P: Porquê?
R: Fundamentalmente porque o senhor do balcão, cidadão anónimo e como tal insuspeito, concordou comigo. É o pulsar do povo.
P: Concordou consigo em quê, sôtor Primeiro?
R: Nisso, precisamente, que temos todas as possibilidades de lá chegar se tivermos fé.
P: E força na verga?
R: Sim claro, isso também é fundamental.
P: Sim senhor, muito bem. Então e o que é que achou da eliminação da Bulgária?
R: Pois, lá está, são coisas da vida dos búlgaros. Mas estou a gostar muito, está a ser uma festa bonita e estou convicto que podemos lá chegar.
P: Chegar onde?
R: Lá está, é a esse tipo de questões que o estudo deve responder, mas espere aí um bocadinho… Ó Isabel, mande chamar o Chico, se faz favor…
P: Quem é o Chico?
R: É um dos meus assessores… Ó Chico, desculpe lá, vocês já chegaram à parte do Para Onde Vamos?
Chico (assessor): Já senhor Primeiro, por acaso foi logo das primeiras coisas que analisámos, a seguir ao primeiro capítulo, que tratava do De Onde Viemos. E chegámos a conclusão que devíamos ir até onde pudéssemos.
R: Está a ver? Está tudo previsto. Vamos até onde for possível. Não acha que é um bom objectivo?
P: Quem faz as perguntas sou eu. Então e quanto ao país? O que é que acha?
R: O mesmo. Que sim.
P: Que sim o quê?
R: Então, o que é que havia de ser? O mesmo, fé, força na verga e havemos de lá chegar. Não é assim Chico?
Chico (assessor): Exactamente, é precisamente isso que os nossos estudos indicam.
P: E o défice público?
R: Também há-de lá chegar, também há-de lá chegar, temos de ser pacientes. Como dizia o Custer, um bom défice é um défice morto.
P: Isso não é um bocado radical?
R: Talvez, mas eu também não sou o Custer. Seja como for, gosto mais de pastéis.
P: Ah, isso é interessante. E quais prefere?
R: Os de bacalhau.
P: Isso é bom, sim senhor. Então e filmes? Tem ido ao cinema?
R: Epá, não tenho tido tempo nenhum para essas coisas. Pergunte-me outra coisa.
P: Está bem. Já foi infiel à sua mulher? Já alguma secretária lhe fez um broche no seu gabinete?
R: Sabia que a infidelidade é um estado de espírito? Li anteontem numa revista. Quanto aos broches, não, nem pensar nisso, nego tudo, as minhas secretárias não são pagas para isso. Para tratar dessas matérias tenho assessores extremamente competentes. E quando eles estão muito ocupados com os estudos, a minha mulher faz o favor de vir cá ao gabinete de vez em quando, quando é preciso.
P: Sim senhor. E quanto ao aquecimento global?
R: Isso já acho muito mal.
P: Mas o Governo tem feito alguma coisa?
R: Então não tem?!... Muita coisa… Ó Chico, responda aqui ao senhor jornalista.
Chico (assessor): A última medida nesse sentido foi lançar um concurso público internacional para modernizar os aparelhos de ar condicionado nos gabinetes do Governo.
P: Há quem diga, no entanto, que os ares condicionados ainda estragam mais a camada de ozono. O que é que tem a responder aos críticos?
R: Quem é que diz isso? É uma calúnia infame! Ó Chico, tem de ver quem é que anda a dizer essas coisas, devem ser os sindicatos, de certeza. É só fumaça. Aliás, a prova é que ainda há pouco tempo demos um subsídio, substancial, devo sublinhar, à camada de ozono. Basta ver o PIDDAC, vem lá tudo, tim-tim por tim-tim.
P: Desvaloriza, então, as críticas.
R: Eu acho que sim.
P: Gosta de enchidos?
R: Boa pergunta. Olhe, gosto de alheiras.
P: Só?
R: De momento sim. Mas em solteiro gostava muito de chouriço de sangue.
P: E de azeitonas, gosta?
R: Claro, daquelas amargas, muito curadas, sabem?
P: Sabemos. E o que acha das dez mil visitas ao porco?
R: Ah, uma maravilha! Ainda ontem à noite comentei isso com a minha mulher e ela até comentou: "Ó Zé, mas isso é maravilhoso!". Nós concordamos em muita coisa. Eu acho que sim, definitivamente.
P: Obrigado, senhor Nosso Primeiro pela entrevista que nos concedeu. E parabéns pelas cortinas.
R: Obrigado eu.
P: De nada.
R: Ora essa.
P: Por quem sois.
R: Ó Chico, acompanhe estes senhores à porta.
P: Está então optimista?
R: Então mas isto já não acabou?
P: Sim, mas está-se aqui tão bem que pensámos que podíamos ficar mais um bocadinho a conversar consigo. Assim tipo off the record, conversa fiada e tal.
R: Ah, está bem. Ó Chico traga uns tintos aqui para estes senhores, se faz favor, daquele maduro que trouxemos do congresso.
P: Um leitãozito também marchava, se não fosse pedir muito.
R: Ora essa.
P: Por quem sois… A sua secretária é que é boa como o milho. Trata-se bem, o Nosso Primeiro! AhAhAh!
R: Foi a minha mulher que escolheu, se quiserem sirvam-se. Só não faz é broches, que a minha mulher é ciumenta.
P: Vidaço!
R: Tem que ser, é assim a vida. Então mas essa merda ainda está a gravar?
P: Não!!!
P: Então que luzinha é essa?
R: É das pilhas.
P: Ah, é que eu queria contar umas anedotas e com isso ligado não posso, não é? Ficava mal. O que é que tu achas ó Chico?
Chico (assessor): Eu acho que sim Nosso Senhor Primeiro.
Por Jocta Silva das Neves i Mendez Arrazabal Supino i Joselito Antunes (com ajudantes)

Pergunta: Bem, estamos aqui com o Nosso Primeiro numa entrevista exclusiva, em termos mundiais, para o Tapornumporco. Bom dia, Senhor Primeiro, o que é que acha?
Resposta: Eu acho que sim. Estou perfeitamente convicto que sim.
P: Sim senhor, estamos a gostar da sua frontalidade. Então e sobre o Europeu da Bola? O que é que pensa?
R: Bem, sobre essa matéria, já pedi aos meus assessores que estudassem aprofundadamente o dossier e estou à espera das conclusões. Sabe que estas coisas são muito demoradas.
P: Pois muito bem. E qual é a sua opinião pessoal?
R: Sobre essa matéria penso que temos possibilidades de lá chegar, e a minha mulher concorda comigo. Mas, lá está, também há possibilidades de não termos, por isso há que ser cauteloso nos prognósticos. E é como digo, quando tiver nas mãos o estudo aprofundado poderei responder com outra profundidade. Sabe que estas coisas requerem muito estudo, mas há que ser optimista, temos de ter fé, não é? Pois, eu também acho que sim. De resto, fui ontem à pastelaria ali ao lado do Governo tomar a bica e um pastelinho, e sai de lá convencidíssimo que sim, reforcei esta convicção.
P: Porquê?
R: Fundamentalmente porque o senhor do balcão, cidadão anónimo e como tal insuspeito, concordou comigo. É o pulsar do povo.
P: Concordou consigo em quê, sôtor Primeiro?
R: Nisso, precisamente, que temos todas as possibilidades de lá chegar se tivermos fé.
P: E força na verga?
R: Sim claro, isso também é fundamental.
P: Sim senhor, muito bem. Então e o que é que achou da eliminação da Bulgária?
R: Pois, lá está, são coisas da vida dos búlgaros. Mas estou a gostar muito, está a ser uma festa bonita e estou convicto que podemos lá chegar.
P: Chegar onde?
R: Lá está, é a esse tipo de questões que o estudo deve responder, mas espere aí um bocadinho… Ó Isabel, mande chamar o Chico, se faz favor…
P: Quem é o Chico?
R: É um dos meus assessores… Ó Chico, desculpe lá, vocês já chegaram à parte do Para Onde Vamos?
Chico (assessor): Já senhor Primeiro, por acaso foi logo das primeiras coisas que analisámos, a seguir ao primeiro capítulo, que tratava do De Onde Viemos. E chegámos a conclusão que devíamos ir até onde pudéssemos.
R: Está a ver? Está tudo previsto. Vamos até onde for possível. Não acha que é um bom objectivo?
P: Quem faz as perguntas sou eu. Então e quanto ao país? O que é que acha?
R: O mesmo. Que sim.
P: Que sim o quê?
R: Então, o que é que havia de ser? O mesmo, fé, força na verga e havemos de lá chegar. Não é assim Chico?
Chico (assessor): Exactamente, é precisamente isso que os nossos estudos indicam.
P: E o défice público?
R: Também há-de lá chegar, também há-de lá chegar, temos de ser pacientes. Como dizia o Custer, um bom défice é um défice morto.
P: Isso não é um bocado radical?
R: Talvez, mas eu também não sou o Custer. Seja como for, gosto mais de pastéis.
P: Ah, isso é interessante. E quais prefere?
R: Os de bacalhau.
P: Isso é bom, sim senhor. Então e filmes? Tem ido ao cinema?
R: Epá, não tenho tido tempo nenhum para essas coisas. Pergunte-me outra coisa.
P: Está bem. Já foi infiel à sua mulher? Já alguma secretária lhe fez um broche no seu gabinete?
R: Sabia que a infidelidade é um estado de espírito? Li anteontem numa revista. Quanto aos broches, não, nem pensar nisso, nego tudo, as minhas secretárias não são pagas para isso. Para tratar dessas matérias tenho assessores extremamente competentes. E quando eles estão muito ocupados com os estudos, a minha mulher faz o favor de vir cá ao gabinete de vez em quando, quando é preciso.
P: Sim senhor. E quanto ao aquecimento global?
R: Isso já acho muito mal.
P: Mas o Governo tem feito alguma coisa?
R: Então não tem?!... Muita coisa… Ó Chico, responda aqui ao senhor jornalista.
Chico (assessor): A última medida nesse sentido foi lançar um concurso público internacional para modernizar os aparelhos de ar condicionado nos gabinetes do Governo.
P: Há quem diga, no entanto, que os ares condicionados ainda estragam mais a camada de ozono. O que é que tem a responder aos críticos?
R: Quem é que diz isso? É uma calúnia infame! Ó Chico, tem de ver quem é que anda a dizer essas coisas, devem ser os sindicatos, de certeza. É só fumaça. Aliás, a prova é que ainda há pouco tempo demos um subsídio, substancial, devo sublinhar, à camada de ozono. Basta ver o PIDDAC, vem lá tudo, tim-tim por tim-tim.
P: Desvaloriza, então, as críticas.
R: Eu acho que sim.
P: Gosta de enchidos?
R: Boa pergunta. Olhe, gosto de alheiras.
P: Só?
R: De momento sim. Mas em solteiro gostava muito de chouriço de sangue.
P: E de azeitonas, gosta?
R: Claro, daquelas amargas, muito curadas, sabem?
P: Sabemos. E o que acha das dez mil visitas ao porco?
R: Ah, uma maravilha! Ainda ontem à noite comentei isso com a minha mulher e ela até comentou: "Ó Zé, mas isso é maravilhoso!". Nós concordamos em muita coisa. Eu acho que sim, definitivamente.
P: Obrigado, senhor Nosso Primeiro pela entrevista que nos concedeu. E parabéns pelas cortinas.
R: Obrigado eu.
P: De nada.
R: Ora essa.
P: Por quem sois.
R: Ó Chico, acompanhe estes senhores à porta.
P: Está então optimista?
R: Então mas isto já não acabou?
P: Sim, mas está-se aqui tão bem que pensámos que podíamos ficar mais um bocadinho a conversar consigo. Assim tipo off the record, conversa fiada e tal.
R: Ah, está bem. Ó Chico traga uns tintos aqui para estes senhores, se faz favor, daquele maduro que trouxemos do congresso.
P: Um leitãozito também marchava, se não fosse pedir muito.
R: Ora essa.
P: Por quem sois… A sua secretária é que é boa como o milho. Trata-se bem, o Nosso Primeiro! AhAhAh!
R: Foi a minha mulher que escolheu, se quiserem sirvam-se. Só não faz é broches, que a minha mulher é ciumenta.
P: Vidaço!
R: Tem que ser, é assim a vida. Então mas essa merda ainda está a gravar?
P: Não!!!
P: Então que luzinha é essa?
R: É das pilhas.
P: Ah, é que eu queria contar umas anedotas e com isso ligado não posso, não é? Ficava mal. O que é que tu achas ó Chico?
Chico (assessor): Eu acho que sim Nosso Senhor Primeiro.
20/06/04
O melhor desporto do Mundo, por Triger Woods

Aqui há uns anos, o Mau, vindo lá das Espanhas, pôs-nos a jogar golf. A malta olhou para o gajo desconfiada. Aqui neste fim de Mundo, andávamos mais habituados à malha e à bola no adro da igreja, no recreio da escola e no meio da rua. Essa merda do golf era coisa de ingleses velhos, ricos e barrigudos. Quando, pela primeira vez pegámos num taco, segurávamos como se fosse uma enxada, denunciando na rudeza do gesto séculos e séculos de apego à terra. O Mau, persistente, lá nos foi ensinando, com a paciência com que os enciclopedistas franceses do século XVIII tentavam ilustrar estes rudes campónios e com a abnegação com que S. Francisco Xavier evangelizava os gentios do Oriente. Ensinou-nos a pegar no taco, a posicionar os pés, a rodar a anca, o swing, o ombro, o punho, o back-swing, o cotovelo, o polegar, puta que pariu! Mas o Mau não desistia:
- Non pongas forza, coño, swinga soft, pasa los brazos....
E a malta lá foi, recalcando os modos da enxada e iniciando-se nos segredos do swing. A pouco e pouco, estes brutos foram-se civilizando. O Mau ensinou-nos a etiqueta, que não devíamos mandar o parceiro pó caralho, que não se chama filha da puta à bola, que não se grita golo, não se diz ao adversário para nos chupar nos colhões quando lhe ganhamos um buraco, etc. Fomo-nos civilizando. Agora, não é que sejamos uns sires britânicos, mas já estamos mais parecidos com aqueles Bijagós das missões a posar prà fotografia com a carapinha domesticada de risco ao meio, fato e gravata e olhar espantado. Estamos mais perto da civilização. E este desporto - o golf - já não é coisa de barrigudos ingleses. É o melhor desporto do Mundo. Não há árbitros, não há desculpas, evolui-se sempre, pode-se jogar com qualquer pessoa que o objectivo nunca é humilhar o parceiro. Uma vez que se entra no espírito do jogo, a coisa entranha-se. Tem qualquer coisa de opiácio, não se consegue abandonar e quanto melhor se joga em pior conta nos temos, a mais nos exigimos, mais tempo a ele dedicamos e entramos numa espiral ascensional da qual não se pode sair. Há gajos que sofrem dores horríveis com hérnias discais e, apesar de todas as contraindicações, não só não abandonam o golf como inventam argumentos espantosos para se convencerem que o swing faz bem à hérnia!
Hoje tive o meu momento de glória. Fui bater umas bolas para o range. Depois, fui dar uma volta ao pitch & put. A coisa corria bem. O campo tem 9 buracos e eu comecei do buraco 3. Chegado ao 8, já levava 2 abaixo do par. No buraco 8, à beira de um muro alto que separa o campo da estrada, eu ensaio o swing e disparo a bola. Atrás de mim, no buraco 4, dois ingleses hospedados no hotel empenhavam-se em confirmar aquela ideia antiga de que isto é um desporto de velhos barrigudos. A minha bola sobe, sobe bem, sobe muito bem. Não me espanto muito, pois sentira o swing solto e largara bem os braços. Aquele barulho quando o taco bate na bola confirmava que havia sido um bom shot. O tempo estava calmo, sem vento, e a bola desce bem. Desce mesmo muito bem. A direcção é perfeita. Eu levanto o pescoço. Começo a sentir um formigueiro no cimo da alma. A bola bate no green levemente, como uma folha seca apoiada pela brisa outonal. O formigueiro da alma alastra ao estômago e a bola rebola devagarinho. Aproxima-se do buraco e o formigueiro desce do estômago até aos colhões. Quando eu tenho formigueiro nos colhões é sinal de que alguma coisa de grandioso está para acontecer. Há gajos que lhes dói o dedo grande do pé quando está para chover. Eu é formigueiro nos colhões. A bola encontra uma linha perfeita na direcção do buraco e desliza como uma top model na passarelle. Aí vai ela. Devagarinho, rola, rola e...... ploc! Ploc? Hole-in-one! Eu lanço o taco ao chão, e meto-me de joelhos na relva com os dois punhos cerrados em movimentos oscilatórios para cima e para baixo e a berrar «golo»! Nestes momentos, estala o verniz e vêm ao de cima os nossos modos rudes e primitivos que, afinal, não desapareceram. Foram apenas enclausurados. Mas agora, soltam as amarras e libertam-se. E lá continuo eu aos pulos:
- Mambó, caralho! Foda-se! Chupa-mos! Pimba!
Lá atrás, no buraco 4, os ingleses, sem entenderem as minhas imprecações, assistiam a tudo e batiam palmas. Eu ouço-os. Começo a descer à realidade e apercebo-me então que, do outro lado do muro, aquele autocarro que a Câmara Municipal arranjou para passear os turistas, descapotável e de dois andares, passava na estrada. No andar de cima do autocarro, uma dúzia de turistas assistira a tudo e aplaudia de pé. Foi o meu momento de glória. É como um golo no estádio da Luz cheio. Vos garanto: um hole-in-one é melhor que foder. Quem acha que não, nunca fez nenhum!
- Non pongas forza, coño, swinga soft, pasa los brazos....
E a malta lá foi, recalcando os modos da enxada e iniciando-se nos segredos do swing. A pouco e pouco, estes brutos foram-se civilizando. O Mau ensinou-nos a etiqueta, que não devíamos mandar o parceiro pó caralho, que não se chama filha da puta à bola, que não se grita golo, não se diz ao adversário para nos chupar nos colhões quando lhe ganhamos um buraco, etc. Fomo-nos civilizando. Agora, não é que sejamos uns sires britânicos, mas já estamos mais parecidos com aqueles Bijagós das missões a posar prà fotografia com a carapinha domesticada de risco ao meio, fato e gravata e olhar espantado. Estamos mais perto da civilização. E este desporto - o golf - já não é coisa de barrigudos ingleses. É o melhor desporto do Mundo. Não há árbitros, não há desculpas, evolui-se sempre, pode-se jogar com qualquer pessoa que o objectivo nunca é humilhar o parceiro. Uma vez que se entra no espírito do jogo, a coisa entranha-se. Tem qualquer coisa de opiácio, não se consegue abandonar e quanto melhor se joga em pior conta nos temos, a mais nos exigimos, mais tempo a ele dedicamos e entramos numa espiral ascensional da qual não se pode sair. Há gajos que sofrem dores horríveis com hérnias discais e, apesar de todas as contraindicações, não só não abandonam o golf como inventam argumentos espantosos para se convencerem que o swing faz bem à hérnia!
Hoje tive o meu momento de glória. Fui bater umas bolas para o range. Depois, fui dar uma volta ao pitch & put. A coisa corria bem. O campo tem 9 buracos e eu comecei do buraco 3. Chegado ao 8, já levava 2 abaixo do par. No buraco 8, à beira de um muro alto que separa o campo da estrada, eu ensaio o swing e disparo a bola. Atrás de mim, no buraco 4, dois ingleses hospedados no hotel empenhavam-se em confirmar aquela ideia antiga de que isto é um desporto de velhos barrigudos. A minha bola sobe, sobe bem, sobe muito bem. Não me espanto muito, pois sentira o swing solto e largara bem os braços. Aquele barulho quando o taco bate na bola confirmava que havia sido um bom shot. O tempo estava calmo, sem vento, e a bola desce bem. Desce mesmo muito bem. A direcção é perfeita. Eu levanto o pescoço. Começo a sentir um formigueiro no cimo da alma. A bola bate no green levemente, como uma folha seca apoiada pela brisa outonal. O formigueiro da alma alastra ao estômago e a bola rebola devagarinho. Aproxima-se do buraco e o formigueiro desce do estômago até aos colhões. Quando eu tenho formigueiro nos colhões é sinal de que alguma coisa de grandioso está para acontecer. Há gajos que lhes dói o dedo grande do pé quando está para chover. Eu é formigueiro nos colhões. A bola encontra uma linha perfeita na direcção do buraco e desliza como uma top model na passarelle. Aí vai ela. Devagarinho, rola, rola e...... ploc! Ploc? Hole-in-one! Eu lanço o taco ao chão, e meto-me de joelhos na relva com os dois punhos cerrados em movimentos oscilatórios para cima e para baixo e a berrar «golo»! Nestes momentos, estala o verniz e vêm ao de cima os nossos modos rudes e primitivos que, afinal, não desapareceram. Foram apenas enclausurados. Mas agora, soltam as amarras e libertam-se. E lá continuo eu aos pulos:
- Mambó, caralho! Foda-se! Chupa-mos! Pimba!
Lá atrás, no buraco 4, os ingleses, sem entenderem as minhas imprecações, assistiam a tudo e batiam palmas. Eu ouço-os. Começo a descer à realidade e apercebo-me então que, do outro lado do muro, aquele autocarro que a Câmara Municipal arranjou para passear os turistas, descapotável e de dois andares, passava na estrada. No andar de cima do autocarro, uma dúzia de turistas assistira a tudo e aplaudia de pé. Foi o meu momento de glória. É como um golo no estádio da Luz cheio. Vos garanto: um hole-in-one é melhor que foder. Quem acha que não, nunca fez nenhum!
17/06/04
Deco, por Trigue da Malásia

Há quem pense que o racismo se manifesta quando se define uma discriminação com base na cor da pele. É errado. O preconceito com base na cor é recente, remonta ao tempo em que foi necessário justificar a escravatura dos negros. Antes, o factor discriminador era a fé. O modelo era a hegemonização com base na fé. Cristianizar. Os cristianizadores julgavam-se portadores da verdade. Este é o equívoco sobre o qual assentam todas as atitudes discriminatórias. Cristianizou-se à força, pois a força, sendo verdadeira, era libertadora do forçado. Os judeus foram as principais vítimas. Eram deicidas. Muitos fugiram, outros converteram-se, com sinceridade ou não. Ainda assim, estabeleceu-se uma distinção infame entre cristãos-novos e cristãos velhos. A Inquisição definia as regras para considerar o sangue limpo de judaísmo. A ideia de Igualdade ainda não triunfara. Com o advento da contemporaneidade e o triunfo do conceito de cidadania, iniciou-se um longo caminho para abolir as diferenciações com base na religião, no sexo ou na raça. Não é mais admissível distinguirem-se os cidadãos com critérios que não dependam do mérito e das qualidades individuais. Não há privilégios de nascimento, nem se aceita qualquer predeterminação legitimada em verdades reveladas. No entanto, levantava-se um problema: o que une então os portugueses? O que faz de nós um povo? Esta é a grande questão do nacionalismo romântico em toda a Europa. Estuda-se a alma nacional, os costumes, crenças, tradições, com o objectivo de definir o que é ser português. O curioso é que esta nova sociedade, dessacralizada e racionalizada, não aboliu o critério da Verdade para fundamentar o sentido da pertença do indivíduo na comunidade. Pelo contrário, no lugar da verdade religiosa colocou uma verdade científica. Para falar apenas no caso português, houve quem valorizasse um eventual substrato étnico. Fosse céltico, latino, germânico ou até moçárabe, na teoria estapafúrdia de Teófilo Braga que mereceu o escárnio imediato de Oliveira Martins e que foi logo enjeitada. Outros, buscaram na geografia o elemento definidor da nacionalidade. Haveria uma pretensa individualidade geográfica que exerceria uma influência irrecusável sobre as gentes que ocupam o território, moldando-lhes o carácter e definindo os contornos da identidade nacional. Teve os seus arautos, esta tese. Hoje é por todos considerada risível! O que define então a cidadania é a vontade de pertencer a uma determinada comunidade que partilha um território, uma memória, uma cultura, um conjunto de valores. A comunhão total é impossível e indesejável, mas admitamos que há-de haver um conjunto mínimo de valores essenciais, sem o que não se admite a existência de uma identidade supraindividual. Esses valores partilhados não são específicos, nem exclusivos, nem inacessíveis a quem os quiser partilhar. Esse estatuto não está subordinado a factores naturais ou sobrenaturais, indiscutíveis. Agora, é a lei civil, já não o ditame religioso ou a antropologia física, que regulamenta o modo de aceder à cidadania e à nacionalidade. A lei é aprovada por órgãos soberanos com legitimidade democrática. Uma vez adquirida a cidadania, ela não pode ser diminuída sob nenhuma forma. O novo conceito já não é homogeneizador. Admite a pluralidade, o convívio da diferença, a multiculturalidade, o ecumenismo, a diversidade. Esta é a primeira e mais importante característica da pós-modernidade. Encerra um risco, aquilo a que estudiosos anglo-saxónicos, como John Solomos ou Les Black, já chamam «o novo racismo cultural». Nesta nova concepção, que supera a diferenciação com base na fé e na pigmentação da pele, processa-a agora a partir de um certo particularismo cultural inconcretizável e indefinível. Dispensa-se qualquer necessidade de argumentação, pois se afirma a cultura como adquirida naturalmente através de um longo processo cujos contornos são impossíveis de circunscrever, mas que uma vez concluído, faz com que seja impossível escapar ou aceder a esse particularismo cultural que se define pseudobiologicamente. Ou seja, uma vez português, português para sempre. Não sendo português quando atingida a maturação, jamais se poderá aceder ao verdaeiro sentido da portucalidade a não ser formalmente. Diz-se então coisas como »não sentem o hino como nós», «não vibram como nós», não sofrem, etc. Isso permite aos arautos desta nova mutação da ideologia racista, prosseguir numa estratégia discriminatória que, segundo os autores já citados, lhes confere a base teórica para circunscrever o conceito de nação a partir desse particularismo cultural, definindo os excluídos como sendo aqueles que não podem comungar deste estatuto.
Ora, neste contexto, as afirmações de Figo acerca da naturalização de Deco assumem uma particular gravidade que merece ser severamente contestada. Afirmou o jogador do Real Madrid, reiterada e reflectidamente, que discordava que jogadores naturalizados pudessem jogar na selecção. Ao arrepio do que se faz noutras selecções europeias, e mesmo nas selecções portuguesas de todas as modalidades incluindo o futebol. Sem nunca o citar, Figo tinha um alvo: Deco. Esta opinião do Figo supõe um preconceito racista na medida em que coloca como condição para representar a selecção algo que não depende do mérito, nem da vontade de um cidadão português. E o homem que anda a vender bandeiras pelos hipermercados, em poses patrioteiras deveria ao menos justificar a sua disparatada opinião. Mas não o faz. Porque essa opinião não é defensável! Pede que respeitem a sua tola opinião. Justamente o que, em nome dos direitos de cidadania não se pode fazer. Dado o estatuto, o impacte e o alcance das afirmações de Figo, ele mereceria repreensão pronta e ríspida. Poucos o fizeram e foram mais os que concordaram, mostrando uma impunidade consentida pelos idólatras de um país que não consegue separar a admiração devida ao desportista da repreensão que merecem as suas afirmações. O Deco adquiriu a nacionalidade portuguesa, nos termos da lei e da constituição. Ponto final! Os direitos de cidadania, uma vez adquiridos, não podem ser ofendidos ou sequer levemente beliscados por opiniões subjectivas que ferem, nem que seja muito levemente, o pleno usufruto da cidadania! O Deco é cidadão de pleno direito e ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de colocar em causa os seus direitos de cidadania,seja sob que forma for, incluindo a opinião pessoal. Quando é o Figo a proferir essa opinião, dada a sua popularidade e o cargo que desempenha como membro oficial de uma selecção nacional, deveria estar consciente das implicações da sua opinião e não se refugiar nesta desculpa: é a minha opinião, tenho direito a a vê-la respeitada. Não, não tem, porque é uma opinião idiota, que coloca em causa o estatuto de um seu companheiro que foi obtido nos termos da lei e da Constituição e que está exactamente ao mesmo nível de direitos e deveres que ele próprio. O que a opinião disparatada do Figo supõe é que ele se considera mais cidadão do que o Deco. E não é. Como se houvesse uma categoria para cidadãos-novos e outra para cidadãos-velhos!
Ora, neste contexto, as afirmações de Figo acerca da naturalização de Deco assumem uma particular gravidade que merece ser severamente contestada. Afirmou o jogador do Real Madrid, reiterada e reflectidamente, que discordava que jogadores naturalizados pudessem jogar na selecção. Ao arrepio do que se faz noutras selecções europeias, e mesmo nas selecções portuguesas de todas as modalidades incluindo o futebol. Sem nunca o citar, Figo tinha um alvo: Deco. Esta opinião do Figo supõe um preconceito racista na medida em que coloca como condição para representar a selecção algo que não depende do mérito, nem da vontade de um cidadão português. E o homem que anda a vender bandeiras pelos hipermercados, em poses patrioteiras deveria ao menos justificar a sua disparatada opinião. Mas não o faz. Porque essa opinião não é defensável! Pede que respeitem a sua tola opinião. Justamente o que, em nome dos direitos de cidadania não se pode fazer. Dado o estatuto, o impacte e o alcance das afirmações de Figo, ele mereceria repreensão pronta e ríspida. Poucos o fizeram e foram mais os que concordaram, mostrando uma impunidade consentida pelos idólatras de um país que não consegue separar a admiração devida ao desportista da repreensão que merecem as suas afirmações. O Deco adquiriu a nacionalidade portuguesa, nos termos da lei e da constituição. Ponto final! Os direitos de cidadania, uma vez adquiridos, não podem ser ofendidos ou sequer levemente beliscados por opiniões subjectivas que ferem, nem que seja muito levemente, o pleno usufruto da cidadania! O Deco é cidadão de pleno direito e ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de colocar em causa os seus direitos de cidadania,seja sob que forma for, incluindo a opinião pessoal. Quando é o Figo a proferir essa opinião, dada a sua popularidade e o cargo que desempenha como membro oficial de uma selecção nacional, deveria estar consciente das implicações da sua opinião e não se refugiar nesta desculpa: é a minha opinião, tenho direito a a vê-la respeitada. Não, não tem, porque é uma opinião idiota, que coloca em causa o estatuto de um seu companheiro que foi obtido nos termos da lei e da Constituição e que está exactamente ao mesmo nível de direitos e deveres que ele próprio. O que a opinião disparatada do Figo supõe é que ele se considera mais cidadão do que o Deco. E não é. Como se houvesse uma categoria para cidadãos-novos e outra para cidadãos-velhos!
16/06/04
Um milagre simples, por Cão
A realidade é uma coisa inventada pela televisão, paginada pelos jornais e repetida pelos parolos que se abstêm ao domingo para dizer mal dela à segunda-feira. “Basicamente é assim”, concordaria comigo um parolo qualquer como eu.
Acontece que descobri a solução para os males da realidade: basta não deixar que Junho acabe. Dois jogos de bola por dia, um morto ilustre por semana e milhares de bandeiras nacionais flamejando varanda sim popó também. E está feito. É um milagre simples.
Se Junho não acabar, Victoria Beckham fica entre nós e põe os filhos a estudar no ensino público. Se Julho não entrar, Marco de Canavezes, a Madeira, Felgueiras, Pombal e Matosinhos passarão também a fazer parte da realidade, já que da normalidade não é possível.
Se conseguirmos ficar em Junho para sempre, os incêndios de Agosto nem começam. Também fica resolvida a questão da limitação dos mandatos com a mandatação dos limites. O crédito bonificado não subirá a partir de 1 de Julho porque não vai haver 1 de Julho algum. E ainda há tempo para antecipar outra vez o Bodo.
Só vejo vantagens. Não envelheceremos mais que isto. Tony Carreira pode dar-nos um concerto eterno. Guterres, esse outro Tony, não vai ter tempo para voltar. Álvaro Cunhal permanecerá firme na luta contra o grande capital em defesa das conquistas de Junho, perdão, de Abril. As multas da Pombal Viva poderão ser pagas no mês que vem. O Portas não chega a receber os submarinos de brinquedo. O défice fica como está. A abstenção nunca mais vai subir. Melhor que tudo, temos tudo para ainda dar a volta ao 1-2 contra a Grécia. Com a realidade suspensa, podemos tomar a nuvem por Junho, além de uma cerveja geladamente estúpida. As três empresas que ainda pagam o subsídio de férias podem sempre declarar falência retroactiva a 1143, ano em que a realidade se começou a estragar.
Acontece que descobri a solução para os males da realidade: basta não deixar que Junho acabe. Dois jogos de bola por dia, um morto ilustre por semana e milhares de bandeiras nacionais flamejando varanda sim popó também. E está feito. É um milagre simples.
Se Junho não acabar, Victoria Beckham fica entre nós e põe os filhos a estudar no ensino público. Se Julho não entrar, Marco de Canavezes, a Madeira, Felgueiras, Pombal e Matosinhos passarão também a fazer parte da realidade, já que da normalidade não é possível.
Se conseguirmos ficar em Junho para sempre, os incêndios de Agosto nem começam. Também fica resolvida a questão da limitação dos mandatos com a mandatação dos limites. O crédito bonificado não subirá a partir de 1 de Julho porque não vai haver 1 de Julho algum. E ainda há tempo para antecipar outra vez o Bodo.
Só vejo vantagens. Não envelheceremos mais que isto. Tony Carreira pode dar-nos um concerto eterno. Guterres, esse outro Tony, não vai ter tempo para voltar. Álvaro Cunhal permanecerá firme na luta contra o grande capital em defesa das conquistas de Junho, perdão, de Abril. As multas da Pombal Viva poderão ser pagas no mês que vem. O Portas não chega a receber os submarinos de brinquedo. O défice fica como está. A abstenção nunca mais vai subir. Melhor que tudo, temos tudo para ainda dar a volta ao 1-2 contra a Grécia. Com a realidade suspensa, podemos tomar a nuvem por Junho, além de uma cerveja geladamente estúpida. As três empresas que ainda pagam o subsídio de férias podem sempre declarar falência retroactiva a 1143, ano em que a realidade se começou a estragar.
11/06/04
THE 39 KILLER, by Lewis Monster Dick
Dedico esta merda desta história porno a todos os que elogiam o Tapor, considerando-o uma mistura de sexo e merda. Agradecemos e retribuímos com esta cagada em tempos divulgada via e-mail entre os membros do Tapor e agora resgatada ao fundo do baú da memória.

THE 39 KILLER
A SHORT TALE FROM THE DEPRESSION DAYS
by Lewis Monster Dick
A puta da grande depressão tinha dado cabo do meu negócio. Eu tinha uma loja de flores na avenida 45, mas agora já ninguém oferecia flores antes de foder e eu estava a ir à falência. Quando se fode sem antes oferecer flores, isso é sinal de depressão económica. Não é que a malta tenha deixado de foder, deixaram foi de oferecer flores antes e eu é que me fodi. Tive que fechar a loja e despedir a Harriet que era uma ruiva boa como o caralho com uma peida de enlouquecer e um clítoris grande e muito sensível. De cada vez que lhe dava uma lambidela ficava a baloiçar durante 3 segundos, parecia o badalo do sino da igreja de St. Andrews. E gemia que parecia uma ambulância engasgada. Ela era a única gaja que se aguentava comigo, já vão perceber porquê, e por isso eu tinha que conservá-la. Se querem que vos diga eu até me estava a cagar para o negócio, isso era um pretexto para foder a Harriet. Tenho saudades do tempo em que chegava à loja de manhãzinha cedo, a miúda já estava atrás do balcão e eu estalava os dedos. Ela já sabia como é que era: amochava e fazia ali logo uma mamada enquanto eu atendia os clientes. Depois, quando eu ouvia aquele «slurp» já sabia que o serviço estava pronto. Naquele tempo eu só acordava depois do «slurp», era o meu despertador. Ela levantava-se, limpava a beiça com um lencinho branco rendado e perfumado e eu ia tomar o pequeno almoço ao bar do Joe na esquina com a 46. Isto sim, isto era vida. Eu até me estava a cagar para o negócio. A vida corria-me bem, até que, com a puta da depressão, tive que fechar a loja e despedir a Harriet que foi mamar para um escritório de advogados especializados em falências. Tive pena de a perder. Os ricos andavam-se todos a matar e as viúvas dos suicidários tinham vontade de morrer mas não sabiam como. Eu também não me atrapalhei e segui o meu lema: «fode quando estás por cima e foge quando 'tás por baixo». Fechei a loja e pensei instalar-me num novo negócio. Comprei uma Magnum 38 e instalei-me como detective. Eu usava a Magnum no lado direito das calças porque, desde pequenino me habituara a virar o 39 para o lado esquerdo. Assim, as coisas ficavam equilibradas. Não fui eu que lhe chamei 39, foram elas. Eu só descobri a razão da alcunha no dia em que vi pela primeira vez uma fita métrica. Foi então que descobri que não era como os outros. Fiquei um bocadinho preocupado e fui ao consultório do Dr. Goldberg. Quando o gajo me viu exclamou:
- Foda-se! 39!!!
O doutor ficou tão espantado que a enfermeira do gajo se assustou e entrou de rompante pela sala de observação. Bem, a moça ficou tão passada que se atirou logo ali. Agarrou uma bola em cada mão de forma tão delicada e embevecida que parecia que se aprontava para me embalsamar os colhões. O cabrão do Goldberg fugiu e eu fiquei ali com ela. Aproveitei para lhe arrancar as cuecas à dentada. A moça ficou extasiada. Estava tão húmida que até me pingou o dedo grande do pé. Depois foi uma fartura. A moça ficou com os olhos revirados, entrou em coma e morreu com uma hemorragia interna e um sorriso nos lábios. Foi a minha primeira vítima. Aquela merda afinal era perigosa. Fiquei a saber que tinha uma arma letal. Quando comprei a 38 fiquei com duas armas letais. Abri um escritório de detective. Aluguei um dos muitos que vagaram numa perpendicular de Wall Street. Os homens de negócios, correctores, contabilistas e o caralho andavam a suicidar-se em série, por isso as rendas estavam baratas e eu aproveitei. Mandei gravar uma placa: «Monster Dick. Private Detective» A merda é que ninguém aparecia. Nem uma puta duma cliente. Ali estava eu às moscas com o dinheiro a acabar. Estava deprimido e por isso saí para a rua. Recordo-me perfeitamente. Naquela noite chovia a potes. Estava um vento frio comó caralho. Peguei no meu velho Chevy e andei às voltas. Andei tanto que já não sabia onde estava, até que vi ao longe o letreiro de um motel e fui para lá. Toquei à campaínha enquanto desapertava os botões da gabardine e me sacudia da água gelada da chuva. Nisto, apareceu a recepcionista: uma velha para aí de 70 anos a fumar um cigarro sem filtro. A mulher fixou os olhos no 39, eu esqueci-me que não devo desapertar os botões da gabardine porque ando sempre com tusa. E ficou maluca. Bom a velha estava um bocado enferrujada, mas levou uma enrabadela como já não levava desde o tempo da guerra hispano-americana. A gaja gania que parecia doidinha. Os hóspedes dos quartos próximos apareceram a pensar que a estavam a assaltar. Entraram na recepção e quando viram aquilo primeiro indignaram-se, depois espantaram-se, depois despiram-se e juntaram-se à festa. Tive que mandar um maricas embora. Mas as outras gajas marcharam. Fizémos um bacanal interessante. Eram cinco gajas, sem contar com a velha que ficou com falta de ar e morreu asfixiada (foi a minha segunda vítima). Aquilo foi à canzana, à dentada, à dedada e à punhada. No fim, o balanço deu:
- Uma gaja ficou histérica e nunca mais disse coisa com coisa. Os médicos diagnosticaram-lhe esquizofrenia e internaram-na.
- Outra ficou com o nervo ciático rebentado e passou a andar de cadeira de rodas. Especializou-se em sexo oral e foi fazer filmes para Miami.
- Duas ficaram gagas.
- A última ficou incontinente urinária porque lhe rebentei com a bexiga. Passou a mijar com uma algália, foi para um convento e abalou prás missões na Tanzânia. Nunca mais cedeu à tentação da carne.
Isto sem contar com a velha. Enfim, um massacre. Fui-me deitar e no dia seguinte comprei o Wall Street Journal. Lá estava em letras enormes a dizer que a vaga de suicídios continuava. Os contabilistas mandavam-se dos arranha-céus abaixo e as mulheres ficavam viúvas. Os gajos até entrevistaram uma viúva fina que dizia que só tinha vontade de morrer. Faltava-lhe era coragem e não sabia como se matar. Foi então que tive uma ideia brilhante. Pus-me no Chevy e acelerei até ao escritório. Arranquei a placa e, onde estava «Private Detective» risquei e a coisa ficou assim: «Monster Dick. Die with a smile on your face» O negócio prosperou, eu recuperei a Harriet. Quando a vi disse-lhe:
- Here we are, babe, back to our slurppy days!
- Foda-se! 39!!!
O doutor ficou tão espantado que a enfermeira do gajo se assustou e entrou de rompante pela sala de observação. Bem, a moça ficou tão passada que se atirou logo ali. Agarrou uma bola em cada mão de forma tão delicada e embevecida que parecia que se aprontava para me embalsamar os colhões. O cabrão do Goldberg fugiu e eu fiquei ali com ela. Aproveitei para lhe arrancar as cuecas à dentada. A moça ficou extasiada. Estava tão húmida que até me pingou o dedo grande do pé. Depois foi uma fartura. A moça ficou com os olhos revirados, entrou em coma e morreu com uma hemorragia interna e um sorriso nos lábios. Foi a minha primeira vítima. Aquela merda afinal era perigosa. Fiquei a saber que tinha uma arma letal. Quando comprei a 38 fiquei com duas armas letais. Abri um escritório de detective. Aluguei um dos muitos que vagaram numa perpendicular de Wall Street. Os homens de negócios, correctores, contabilistas e o caralho andavam a suicidar-se em série, por isso as rendas estavam baratas e eu aproveitei. Mandei gravar uma placa: «Monster Dick. Private Detective» A merda é que ninguém aparecia. Nem uma puta duma cliente. Ali estava eu às moscas com o dinheiro a acabar. Estava deprimido e por isso saí para a rua. Recordo-me perfeitamente. Naquela noite chovia a potes. Estava um vento frio comó caralho. Peguei no meu velho Chevy e andei às voltas. Andei tanto que já não sabia onde estava, até que vi ao longe o letreiro de um motel e fui para lá. Toquei à campaínha enquanto desapertava os botões da gabardine e me sacudia da água gelada da chuva. Nisto, apareceu a recepcionista: uma velha para aí de 70 anos a fumar um cigarro sem filtro. A mulher fixou os olhos no 39, eu esqueci-me que não devo desapertar os botões da gabardine porque ando sempre com tusa. E ficou maluca. Bom a velha estava um bocado enferrujada, mas levou uma enrabadela como já não levava desde o tempo da guerra hispano-americana. A gaja gania que parecia doidinha. Os hóspedes dos quartos próximos apareceram a pensar que a estavam a assaltar. Entraram na recepção e quando viram aquilo primeiro indignaram-se, depois espantaram-se, depois despiram-se e juntaram-se à festa. Tive que mandar um maricas embora. Mas as outras gajas marcharam. Fizémos um bacanal interessante. Eram cinco gajas, sem contar com a velha que ficou com falta de ar e morreu asfixiada (foi a minha segunda vítima). Aquilo foi à canzana, à dentada, à dedada e à punhada. No fim, o balanço deu:
- Uma gaja ficou histérica e nunca mais disse coisa com coisa. Os médicos diagnosticaram-lhe esquizofrenia e internaram-na.
- Outra ficou com o nervo ciático rebentado e passou a andar de cadeira de rodas. Especializou-se em sexo oral e foi fazer filmes para Miami.
- Duas ficaram gagas.
- A última ficou incontinente urinária porque lhe rebentei com a bexiga. Passou a mijar com uma algália, foi para um convento e abalou prás missões na Tanzânia. Nunca mais cedeu à tentação da carne.
Isto sem contar com a velha. Enfim, um massacre. Fui-me deitar e no dia seguinte comprei o Wall Street Journal. Lá estava em letras enormes a dizer que a vaga de suicídios continuava. Os contabilistas mandavam-se dos arranha-céus abaixo e as mulheres ficavam viúvas. Os gajos até entrevistaram uma viúva fina que dizia que só tinha vontade de morrer. Faltava-lhe era coragem e não sabia como se matar. Foi então que tive uma ideia brilhante. Pus-me no Chevy e acelerei até ao escritório. Arranquei a placa e, onde estava «Private Detective» risquei e a coisa ficou assim: «Monster Dick. Die with a smile on your face» O negócio prosperou, eu recuperei a Harriet. Quando a vi disse-lhe:
- Here we are, babe, back to our slurppy days!
THE END
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