
O dr. Jacupissara desligou o motor, rodando a chave da ignição, e reparou que, mesmo em frente do automóvel estava um vulto imobilizado no alcatrão. Logo imaginou um atropelamento com fuga. O empenhado e responsável cidadão usou o seu telefone para prontamente chamar as autoridades e uma equipa de emergência médica. Entretanto, abeirou-se do corpo prostrado no meio da via pública. Reparou que se tratava de uma senhora de meia-idade, aí dos seus cinquenta anos. À frente, uma prótese da perna direita que seguramente fora projectada em consequência do embate. A história parecia simples: o padeiro atropelou esta pobre senhora que, em virtude das suas dificuldades de locomoção, atravessava a rodovia em local não autorizado, mal iluminado e muito vagarosamente. Assustado, o motorista fugiu, ou então, admitamo-lo, foi em busca de socorro, uma vez que poderia não ter telemóvel.
O dr. Jacupissara acercou-se da face da infeliz atropelada e viu então que ela não tinha braços. «Deve ser uma vítima da Talidomida», pensou o dr. Jacupissara enquanto se aprestava para a violar. Antes porém que tal sucedesse, chegou a equipa de emergência que transportou a pobre infeliz para o hospital onde viria a falecer.
A polícia abriu um inquérito que viria a ilibar o jovem condutor do veículo, um tal Atanagildo Pasagarda, posto que o volante, segundo os exames periciais do laboratório da polícia científica, ostentava as impressões digitais da vítima. Ora, o mistério é o seguinte: como é que a senhora se atropelou a si própria?
Foto: O Pensador, de Auguste Rodin; 1880
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